Defesa de Bolsonaro nega ao STF autorização para uso de vídeo com IA em convenção do PL

Defesa de Bolsonaro nega ao STF autorização para uso de vídeo com IA em convenção do PL
Fonte da imagem: Agência Brasil


A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (29), que ele não autorizou a produção nem a divulgação de um vídeo gerado por inteligência artificial (IA) que simulou um pronunciamento seu em favor da candidatura do filho, o senador Flávio Bolsonaro, à Presidência da República. O material foi exibido durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL) no último sábado (25).

A manifestação dos advogados de Bolsonaro foi apresentada em resposta a um pedido de explicações do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF. Moraes deu prazo de 48 horas para que a defesa esclarecesse se o ex-presidente havia autorizado o uso de sua imagem e voz no vídeo. O ministro destacou que Bolsonaro cumpre prisão domiciliar e está proibido de divulgar manifestações político-eleitorais, inclusive por intermédio de terceiros.

No ofício encaminhado ao STF, os advogados argumentaram que Bolsonaro não teve condições de autorizar a produção do vídeo porque está com o direito de visitas suspenso por trinta dias, enquanto Flávio Bolsonaro foi impedido de visitá-lo por noventa dias. A restrição, segundo a defesa, foi imposta após o senador divulgar uma carta nas redes sociais. “Circunstância que, por si só, evidencia a inexistência de qualquer contato destinado à obtenção de autorização específica para a elaboração do referido material”, sustentaram.

A defesa também ressaltou que os filhos de Bolsonaro sempre utilizaram a imagem pública do pai no âmbito da atividade político-partidária, inclusive antes das proibições impostas por Moraes. “Seus filhos sempre utilizaram sua imagem pública no âmbito da atividade político-partidária, reproduzindo fotografias, gravações, pronunciamentos, discursos, entrevistas e demais manifestações públicas, prática notória, contínua e jamais objeto de qualquer oposição por parte do titular desse direito”, completaram os advogados.

O ministro Alexandre de Moraes havia alertado que, caso não houvesse autorização expressa de Bolsonaro, o uso da IA poderia ter reflexos na esfera eleitoral e ser caracterizado como divulgação de deep fake – conteúdo artificial que associa voz ou imagem a um candidato sem autorização. Esse tipo de prática foi proibido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O vídeo com a simulação do pronunciamento de Bolsonaro foi exibido na convenção do PL no último sábado (25), gerando reação imediata da Corte. Moraes, ao tomar conhecimento do episódio, determinou que a defesa se manifestasse no prazo de 48 horas, o que ocorreu nesta quarta-feira.

A situação ocorre em meio às restrições impostas a Bolsonaro no âmbito de investigações em andamento no STF. O ex-presidente está em prisão domiciliar e tem sido alvo de medidas cautelares que limitam sua comunicação e contato com outros investigados e familiares.

Até o momento, não há informação sobre a decisão do ministro Alexandre de Moraes após receber a resposta da defesa. O caso segue sob análise do STF, que pode determinar novas medidas ou encaminhar a questão à esfera eleitoral para apuração de eventual infração.

Fonte: Agência Brasil.

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