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Olinda, reconhecida pela Unesco como Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade, carrega em sua arquitetura séculos de memória. Mas um de seus marcos culturais, o Cine Olinda, está fechado há mais de quatro décadas, e o silêncio do poder público sobre o futuro do espaço tem mobilizado um grupo de cineastas e ativistas. Neste sábado (1º), o coletivo CineRuaPe retoma as sessões de cinema ao ar livre, desta vez em frente ao próprio Cine Olinda, localizado ao lado da Praça João Pessoa, no bairro do Carmo.
A sala, inaugurada em 1911 com o nome de Cine Theatro e Variedades, está sem exibir filmes há mais de 40 anos. Para chamar atenção para a reativação deste e de outros cinemas de rua de Pernambuco, o coletivo escolheu o local como palco de uma programação que une arte, memória e reivindicação. A ação acontece em um momento em que o Cine Olinda acumula promessas de reabertura, projetos interrompidos e nenhuma definição concreta por parte das autoridades.
A programação contará com a exibição de dois filmes que dialogam com o território, a memória e o poder das imagens: “Esse Cinema Não Possui Saídas de Emergência”, de Mia Aragão, e “Onde Começa um Rio”, de Julia Karam, Maiara Mascarenhas, Maria Cardozo e Pedro Severien. Após as sessões, haverá debates com o público, ampliando a discussão sobre a importância dos cinemas de rua como espaços de convivência e cultura.
Pedro Severien, diretor de cinema, professor e curador do cinema de rua São Luís, no Recife, lembra que o Cine Olinda já demonstrou ter condições de voltar a receber o público. Em 2016, ele participou de uma ocupação do espaço, organizada por um grupo de pessoas que queria apenas abrir as portas da sala para a população. Durante três meses, foram realizadas inúmeras sessões de cinema e atividades pedagógicas, com ampla participação social. “A gente mostrou que é possível esse cinema ser entregue de volta à população”, afirma Severien. No entanto, ele lamenta que, nos últimos dez anos, não tenha havido nenhuma ação relevante do poder público para a reabertura do cinema.
O coletivo CineRuaPe, que organiza a ação, destaca que o Cine Olinda é um símbolo da luta pela retomada dos cinemas de rua no estado. Além da exibição em Olinda, o grupo planeja percorrer ao longo deste ano outras quatro cidades pernambucanas em defesa da preservação e da reativação desses espaços: Vitória de Santo Antão, Goiana, Arcoverde e Recife. A iniciativa busca não apenas reabrir salas fechadas, mas também reacender o debate sobre o papel desses equipamentos culturais nas cidades.
A escolha de Olinda para a retomada das sessões ao ar livre não é casual. A cidade, tombada pela Unesco, tem uma forte tradição cultural, e o Cine Olinda, com mais de um século de história, representa um patrimônio afetivo e arquitetônico para os moradores. A ação em frente ao prédio, que permanece fechado, funciona como um ato simbólico de ocupação do espaço público e de cobrança por políticas públicas efetivas para o setor.
O evento deste sábado integra uma série de atividades do coletivo, que tem usado o cinema como ferramenta de mobilização social. Os filmes selecionados abordam temas como a relação das comunidades com seus territórios e a importância da memória, em sintonia com a pauta da reabertura do Cine Olinda. Os debates após as sessões devem reunir realizadores, moradores e ativistas para discutir os desafios e as possibilidades para os cinemas de rua em Pernambuco.
Apesar das dificuldades, o coletivo mantém a esperança de que o Cine Olinda possa ser devolvido à população. A ocupação de 2016, que durou três meses, é citada como exemplo de que o espaço pode voltar a funcionar, desde que haja vontade política. O grupo também critica a falta de transparência do poder público sobre o que será feito do imóvel, que segue sem destinação clara.
Para quem quiser participar das próximas ações ou obter mais informações, o coletivo disponibiliza o perfil oficial no Instagram @cineruape. A programação completa e os detalhes sobre como se envolver podem ser solicitados por lá. A expectativa é que a iniciativa ganhe força e pressione as autoridades a tomarem uma providência em relação ao Cine Olinda e aos demais cinemas de rua do estado.
A reabertura do Cine Olinda, no entanto, ainda depende de uma definição oficial. Enquanto isso, o coletivo segue com suas atividades, levando o cinema para as ruas e mantendo viva a memória de um espaço que já foi palco de inúmeras histórias. A ação deste sábado é mais um capítulo dessa luta, que mistura arte, memória e reivindicação por políticas culturais permanentes.
Fonte: Agência Brasil.
