
Page Six.
O publicitário Ben Russo, que trabalhou por dez anos como assessor de imprensa de Perez Hilton e mantém uma amizade com o blogueiro desde 2004, decidiu falar publicamente sobre a crise de saúde mental que levou Hilton a tentar tirar a própria vida. Em um relato publicado pelo Page Six, Russo afirma que conheceu Mario Lavandeira — nome real de Hilton — antes de ele se tornar uma marca global e uma das figuras mais controversas da cultura de celebridades na internet.
Russo, que é três meses mais novo que Hilton, conta que acompanhou de perto a ascensão do blogueiro, seus erros e, principalmente, a culpa que ele sentia ao lidar com as consequências da forma como cobriu pessoas no passado. “Eu tive um lugar na primeira fila para ver sua ascensão, seus erros e, mais importante, sua culpa enquanto ele tentava lidar com as consequências da maneira como havia coberto as pessoas no passado”, escreveu.
Nos dias seguintes à tentativa de suicídio, Russo observou um debate intenso nas redes sociais. Ao lado de mensagens de preocupação e compaixão, havia comentários classificando o ocorrido como “karma” ou punição pelos danos causados durante os anos em que o PerezHilton.com esteve no centro da cultura das celebridades. O publicitário diz entender a raiva por trás de algumas dessas reações, mas também afirma conhecer o homem por trás delas.
Russo lembra que, no auge da fama, ele e Hilton conversavam quase todos os dias. Ele viu o blogueiro se tornar pai e observou o surgimento do “verdadeiro Mario” por trás do personagem Perez Hilton. “A pessoa que está sendo julgada hoje não é simplesmente a pessoa que as pessoas lembram de um site de duas décadas atrás. Nenhum de nós pode reescrever nosso passado, mas acredito que temos que permitir que as pessoas tenham a possibilidade de se tornarem algo mais do que as coisas que podem ter feito”, afirmou.
Para entender Hilton, argumenta Russo, é preciso lembrar como era a mídia de celebridades na época. “Perez não criou essa cultura sozinho; ele apenas se tornou sua face mais visível”, escreveu. Milhões de pessoas visitavam o PerezHilton.com, atualizavam as manchetes, repetiam as histórias e voltavam para mais. Celebridades queriam sua atenção, publicitários e agentes buscavam cobertura para seus clientes, e anunciantes seguiam o público. “Mario desempenhou um papel poderoso nessa máquina, mas nunca operou sozinho”, destacou.
O publicitário também lembra que Hilton reconheceu publicamente os danos que causou. Em 2010, ele mudou de direção, arriscou a plataforma que havia construído e se comprometeu publicamente a fazer melhor. Russo afirma ter visto essa mudança acontecer em particular, alterando as conversas que tinham e as decisões que Hilton tomava. “A responsabilização importa. E Perez a assumiu. Mas se a responsabilização não oferece possibilidade de redenção, não é responsabilização. É punição permanente”, escreveu.
Russo diz que não está escrevendo para dizer que alguém precisa perdoar Hilton, mas para destacar a linha entre responsabilização e acreditar que outro ser humano merece sofrer tanto a ponto de não merecer mais viver. “O que aconteceu na semana passada não foi karma. Foi uma crise de saúde mental. E nenhuma tentativa de suicídio deveria ser celebrada como justiça”, afirmou.
Durante a semana, enquanto o amigo estava vulnerável e a família tentava protegê-lo e proteger seus filhos, o sofrimento de Hilton foi exposto a milhões de pessoas. Um vídeo mostrando automutilação permaneceu no TikTok por mais de quinze minutos. Estranhos assistiram, compartilharam, comentaram e julgaram um dos momentos mais sombrios de sua vida. “Compaixão não exige que esqueçamos o passado de alguém. Simplesmente exige que lembremos que ainda há um ser humano por trás dele”, escreveu Russo.
O publicitário afirma ter testemunhado a ascensão de Perez, seus erros, sua decisão de mudar e os dezesseis anos que ele passou vivendo sob um peso de julgamento público que, às vezes, o fez sentir que não era digno de estar vivo. “Isso é o que mais me entristece: não apenas o que foi dito sobre ele, mas o que isso pode ter feito ele acreditar sobre si mesmo”, concluiu.
Russo encerra o relato indicando que atualizações sobre Perez Hilton podem ser obtidas no site perezhilton.com e lembra que, nos Estados Unidos, pessoas em crise podem ligar ou enviar mensagem de texto para a linha de prevenção ao suicídio 988, disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Leia mais aqui em inglês: https://pagesix.com/2026/08/14/celebrity-news/i-had-a-front-row-seat-to-perez-hiltons-rise-and-the-private-struggle-no-one-saw/.
Fonte: pagesix.com.
Page Six.
2026-08-14 18:14:00

