
World Soccer Talk.
A menos de um ano do Congresso da Fifa que definirá o próximo presidente da entidade, o mapa de apoios em torno de Gianni Infantino ganhou novos contornos. Argentina e México anunciaram publicamente suporte à reeleição do dirigente, em meio a um cenário de crescente oposição europeia e de cobranças por reformas na governança do futebol mundial. As manifestações, divulgadas na quinta-feira, 6 de agosto de 2026, ocorrem na esteira da retirada de uma proposta da Fifa de vender participação em seus direitos comerciais, plano que gerou forte reação de confederações e associações nacionais.
A crise teve início quando a Fifa desistiu de um projeto que previa a venda de até 20% de uma nova subsidiária responsável pelos direitos comerciais da Copa do Mundo e de outras competições. A operação, segundo informações divulgadas na época, buscava captar cerca de US$ 4,2 bilhões junto a investidores privados. Após a repercussão negativa, a entidade reconheceu falhas na forma como a proposta foi apresentada, pediu desculpas às 211 associações filiadas e prometeu revisar seus processos internos.
Apesar do pedido de desculpas, a insatisfação não arrefeceu. A Uefa, entidade que comanda o futebol europeu, segue afirmando que a confiança em Infantino foi perdida e mantém em aberto a possibilidade de boicotar competições da Fifa caso não haja reformas significativas na governança. Croácia, Inglaterra, País de Gales, Finlândia, Suécia, Sérvia e Albânia já anunciaram que não apoiam a reeleição do atual presidente. O sindicato mundial de jogadores, a Fifpro, também criticou a liderança de Infantino.
Em meio a esse cenário, a Associação do Futebol Argentino (AFA) divulgou nota oficial endossando a gestão de Infantino nos últimos dez anos. O documento, assinado pelo presidente da entidade, Claudio Tapia, destaca o desenvolvimento do futebol global e a solidez institucional baseada em um modelo de governança que classificou como claro, estável e transparente. A AFA reconheceu que a proposta de venda de direitos comerciais gerou incerteza, mas avaliou que a decisão da Fifa de recuar demonstrou responsabilidade.
“Em nome da Associação do Futebol Argentino (AFA) e do seu Comitê Executivo, expressamos nosso apoio ao trabalho realizado nos últimos dez anos, que se concentrou no desenvolvimento do futebol em todo o mundo e na força institucional baseada em um modelo de governança claro, estável e transparente”, afirmou Claudio Tapia. A entidade também elogiou a retirada da proposta: “Devemos reconhecer a decisão da Administração de retirar uma proposta que, desde o início, gerou muito mais incerteza do que certeza dentro da família do futebol”. A AFA concluiu que o melhor caminho é seguir trabalhando sob a liderança de Infantino até o Congresso de 2027.
A posição do México chamou atenção por divergir da adotada pela Concacaf, confederação que reúne as associações da América do Norte, Central e Caribe. A Concacaf havia cobrado uma “prestação de contas abrangente” sobre a presidência de Infantino, criticando a condução do processo de venda de direitos comerciais. A Federação Mexicana de Futebol (FMF), no entanto, decidiu apoiar o dirigente. Em comunicado, a FMF afirmou que não reconhecerá nem aprovará qualquer processo conduzido fora do marco institucional da Fifa e que se soma ao chamado do presidente Infantino para continuar desenvolvendo o futebol em benefício das 211 associações.
“A FMF apoia a liderança do presidente Infantino em continuar promovendo o desenvolvimento do futebol por meio do fortalecimento institucional”, diz trecho da nota mexicana. Com essa decisão, o México se alinha a Argentina, Paraguai e à Confederação Africana de Futebol (CAF), que já havia manifestado apoio unânime a Infantino. O movimento amplia a base de sustentação do atual presidente, mas também evidencia a fragmentação entre as confederações e associações nacionais às vésperas da eleição marcada para 2027, em Marrocos.
Enquanto isso, a Uefa segue pressionando por mudanças. A entidade europeia não descarta boicotar competições da Fifa caso não haja avanços concretos na governança. A lista de países que retiraram o apoio à reeleição de Infantino inclui Croácia, Inglaterra, País de Gales, Finlândia, Suécia, Sérvia e Albânia, além da crítica pública da Fifpro. A divisão expõe um dos momentos mais delicados da gestão de Infantino, que tenta equilibrar o apoio de parte significativa do futebol mundial com a resistência de importantes federações europeias.
A eleição presidencial da Fifa está prevista para ocorrer durante o Congresso de 2027, em Marrocos. Até lá, a tendência é que o debate sobre a liderança de Infantino continue dominando o noticiário do futebol internacional, com novos posicionamentos de associações e confederações podendo surgir. Por ora, o cenário é de um apoio geograficamente dividido, com a Europa majoritariamente crítica e outras regiões, como América do Sul, África e parte da América Central, demonstrando alinhamento ao atual presidente.
Leia mais aqui em inglês: https://worldsoccertalk.com/news/gianni-infantinos-support-map-changes-as-argentina-and-mexico-reveal-their-stance-on-2027-fifa-elections-as-uefa-watches-on/.
Fonte: World Soccer Talk.
World Soccer Talk.
2026-08-07 13:04:00
