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O baterista Brendan Canty, da lendária banda de post-hardcore Fugazi, classificou como ‘surda e insensível’ a recente colaboração anunciada pela Vans com uma grife de luxo de Los Angeles que também se chama Fugazi. A confusão gerada entre os fãs, que inicialmente acreditaram se tratar de uma parceria oficial com o grupo musical, levou a empresa de calçados a pedir desculpas publicamente.
A Vans anunciou um tênis em parceria com a Fugazi, uma marca de streetwear de alto padrão baseada em Los Angeles — e não com a banda homônima, conhecida por sua postura anticonsumista e por nunca ter licenciado seu nome para produtos comerciais. A falta de clareza na comunicação fez com que muitos fãs se sentissem enganados.
Nas redes sociais, a reação foi imediata. ‘Imagine achar que você conseguiu uma collab do Fugazi para descobrir que é um Fugazi completamente diferente’, escreveu um usuário no X/Twitter. Outro comentou: ‘Fiquei muito animado por um segundo’. No Instagram, um fã lembrou: ‘Eu sabia que era bom demais para ser verdade, já que eles nunca lançaram merch’. E mais um acrescentou: ‘Um pouco tarde demais. Isso era totalmente evitável’.
Para esclarecer a situação, o selo Dischord Records, cofundado por Ian MacKaye, vocalista e guitarrista do Fugazi, confirmou que a banda não tem qualquer envolvimento com a iniciativa. ‘Acho que alguém da Vans vai entrar em contato conosco’, escreveu o selo. ‘Não temos nada a ver com isso, para ficar claro’.
Após a repercussão negativa, a Vans removeu a postagem original e emitiu um pedido de desculpas. Steve Van Doren, vice-presidente de marketing e eventos da Vans, declarou: ‘Desculpem por qualquer confusão na semana passada. Fugazi a banda e Fugazi a marca de roupas não são ligados. Tenho profundo respeito por Ian MacKaye, seu impacto na música e sua conexão com o skate. Conversamos esta manhã e estamos buscando maneiras de apoiar skatistas de longa data e retribuir às comunidades que ambos amamos’.
Antes mesmo do pedido de desculpas, Brendan Canty concedeu entrevista ao site Consequence e criticou duramente a ação. ‘Tem essa empresa de moda horrível chamada Fugazi que existe há anos, eu acho. Notei eles em Nova York em algum momento’, disse. ‘Houve Fugazis ao longo do tempo… e, no fim das contas, era uma sigla que significava ‘Fodido, emboscado, enfiado no zíper’. Era uma sigla da era do Vietnã. Então, quero dizer, já existia. Não tenho nada contra alguém usá-la’.
O baterista, no entanto, disse ter ficado mais chateado com o que chamou de natureza ‘vingativa’ da campanha contra a banda. ‘Do jeito que o cara segurou a marca registrada ‘Fugazi’, o cara da Vans, e do jeito que ele disse ‘Ha ha, nós temos isso’. Não conseguia entender por que ele estava agindo de forma vingativa contra nós. Parecia que era direcionado a nós, e meio que nos sentimos como uma mula corporativa’, desabafou.
Canty ainda expressou decepção com a marca: ‘Claro que os caras da Vans sabem quem é o Fugazi. É misterioso e parece estúpido eles fazerem algo assim. Fiquei magoado com isso, honestamente. Pensei: ‘Por que a Vans está fazendo isso?’. Achava que eles estavam meio que do lado dos anjos, sabe? Mas acho que não’. Ele concluiu: ‘É tão surdo e insensível. Estou confuso com isso e parece que as pessoas também estão confusas, a ponto de ficarem confusas e enojadas’.
O Fugazi sempre se recusou a colocar seu nome em qualquer mercadoria oficial ou fazer colaborações com empresas de roupas. A banda lançou seis álbuns de estúdio, sendo o último ‘The Argument’, de 2001. Desde o fim de sua turnê pelo Reino Unido em 2002, após três shows lotados no O2 Forum, em Londres, o grupo está em hiato indefinido.
Em 2024, Canty já havia falado sobre a possibilidade de um retorno, revelando que ‘sempre há uma chance’ de a banda se reunir. ‘Torna-se cada vez menos provável, mas houve momentos nos últimos 22 anos em que nos juntamos e tocamos por uma semana inteira, e sempre nos vemos na cidade, e estamos sempre trabalhando em outros projetos de relançamento’, disse na ocasião. ‘Não depende de mim juntar a banda de novo. Se dependesse de mim, estaríamos lá tocando, mas não é tão fácil’.
Mais recentemente, o grupo disponibilizou as gravações das sessões do álbum ‘In On The Kill Taker’ e doou os lucros para a Letters Charity, uma organização sem fins lucrativos que apoia famílias em situação de pobreza.
Fonte: NME.
NME.
2026-07-07 09:34:00
