Beck lança Ride Lonesome e diz que precisou de tempo para ter coragem de ser direto e emocional




Beck lança Ride Lonesome e diz que precisou de tempo para ter coragem de ser direto e emocional
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O músico Beck falou sobre seu novo álbum, “Ride Lonesome”, e sobre o processo de composição que resultou em um disco descrito por ele como um “disco de coração partido”. Segundo o artista, boa parte das músicas nasceu durante a pandemia de COVID-19, quando ficou preso em casa sozinho por algumas semanas. “A música simplesmente acontece organicamente. Não é algo que você pode controlar ou planejar, mas é onde eu estava”, afirmou.

Questionado sobre a relação do novo trabalho com “Sea Change” e “Morning Phase”, Beck disse acreditar que “Ride Lonesome” está mais próximo de “Morning Phase”. Ele explicou que, no início da carreira, não definia ou diferenciava os tipos de discos que fazia, começando com gravações folk de cantor e compositor em fitas.

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Beck. CREDIT: Autumn De Wilde — NME
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O artista lembrou que, após o sucesso de “Loser”, surgiu a dúvida sobre nomear seus trabalhos como projetos distintos, mas seu empresário e a gravadora decidiram manter tudo sob o mesmo nome. “O ethos da época era que o público teria que aceitar tudo, com defeitos e tudo”, disse.

Ele comparou essa escolha à de alguns colegas que criam projetos paralelos para diferentes estilos, como música eletrônica ou bandas de rock, e afirmou que isso gerou certa confusão, mas que há um ethos diferente para este tipo de disco em relação a algo como “Midnite Vultures”.

Sobre as letras, Beck descreveu o álbum como um disco de coração partido, com escrita muito direta. “É sobre lidar com a perda, deixar as coisas irem, navegar por esses lugares emocionalmente impossíveis e tentar atravessar esses momentos”, explicou. Ele citou a perda romântica, a perda de um ente querido — um bom amigo — e as mudanças de eras da vida como temas presentes.

O músico contou que essas são as canções que queria fazer quando era jovem, mas que o clima musical da época era inóspito para esse tipo de som. “Levei muito tempo para ter esse tipo de coragem de ser tão direto e emocional”, declarou. Ele relembrou que, no início da carreira, ao se apresentar em bares, clubes ou cafés, começava a dedilhar de forma elegíaca e era vaiado, com objetos sendo atirados e vaias.

Beck mencionou que era amigo de Elliott Smith e Lou Barlow, que escreviam música mais quieta e introspectiva em uma época em que isso não era moda, e que sentia nervosismo por eles. Ele também recordou que, após tentar apresentar canções sinceras e violão dedilhado, acabava gritando “MTV makes me want to smoke crack” e o público levantava os punhos, satisfeito.

O artista comentou que a sinceridade parecia “nauseante” para o público dos anos 1990, e que outras gerações não tiveram que lidar com isso. “Há uma moda para cada momento”, afirmou, citando que Led Zeppelin não tentava fazer música de big band e Frank Sinatra não tentava tocar canções de music hall. Ele disse que seria difícil fazer um disco como este naquela época.

Sobre o atual cenário, em que folk e country estão em voga e artistas jovens misturam gêneros, Beck disse não sentir que é aceito ou que sua influência é reconhecida. “Não realmente. Tenho muitos colegas cuja influência vejo em todo lugar. É como o fato de você não cantar minhas músicas no karaokê, as letras são muito estranhas”, disse.

Ele observou que muitos de seus colegas escreveram grandes canções de karaokê que qualquer um podia cantar, enquanto ele, quando mais jovem, sempre desconstruía e tentava subverter a própria canção em que trabalhava, o que não era propício para uma influência direta.

Beck afirmou que os jovens talvez não percebam que seus primeiros discos eram agressivamente desafiadores de gênero, algo que hoje é tido como certo, mas que na época era altamente transgressor. “Lembro de receber muita merda por isso, especialmente de jornalistas”, contou.

Ele explicou que misturar gêneros de forma quase antagônica era, para ele, uma espécie de punk rock pós-moderno, já que não se podia chocar as pessoas com volume ou conteúdo lírico. Ele citou os Pixies como exemplo de quem chocava com música agressiva e melodias doces, e disse que, para ele, o punk era juntar rap com country, noise e poesia simbolista.

Beck lembrou que era constantemente acusado de insinceridade ou de falta de coragem para assumir seu próprio som.

Sobre o rótulo de “slacker rock”, Beck comentou que era engraçado, pois vinha de uma origem em que trabalhava o tempo todo para sobreviver e teria adorado a vida suburbana de morar na garagem dos pais sem precisar trabalhar. Ele disse que a geração anterior sempre coloca um nome ou bordão na geração mais jovem para rebaixá-la ou reduzi-la.

Ele mencionou um clipe recente de Dean Martin, de quem gosta, apresentando os Rolling Stones em seu programa de TV e revirando os olhos, e contou que conversou recentemente com Conan O’Brien, que disse ter uma política de nunca fazer piadas sobre artistas, especialmente os mais jovens de outras gerações, pois isso nunca envelhece bem. “Sempre senti que é importante acolher ou apoiar novos artistas”, afirmou.

Perguntado sobre como o jovem Beck se sairia no cenário atual, ele disse acreditar que haveria muito mais espaço e aceitação. “Havia muitas regras na época em que eu estava começando”, afirmou, acrescentando que Radiohead, Björk ou qualquer outro artista daquele período diriam o mesmo.

Ele citou discos como “Post”, “Homogenic” e “Kid A” como exemplos que bateram em paredes de resistência, e lembrou que ele mesmo enfrentou isso com “Odelay” e até “Sea Change”. “As pessoas saíam correndo desses shows e eu perdi muito público. Parecia um pouco autodestrutivo com minha audiência, mas a intuição está sempre correta.

Esses discos provavelmente são mais populares entre as pessoas que vêm aos meus shows hoje do que aqueles que venderam infinitamente mais na época”, disse.

Sobre o uso de inteligência artificial na música, tema que tem gerado debate, Beck disse que isso o tem motivado nos

Leia mais aqui em inglês: https://www.nme.com/news/music/beck-interview-ride-lonesome-new-album-tour-ai-3968976?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=beck-interview-ride-lonesome-new-album-tour-ai.

Fonte: NME.

NME.

2026-09-15 10:00:00

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