Bonito Cinesur 2026 homenageia atriz chilena Paulina García e exibe 32 filmes de 13 países




Bonito Cinesur 2026 homenageia atriz chilena Paulina García e exibe 32 filmes de 13 países
Fonte da imagem: Agência Brasil


A quarta edição do festival de cinema Bonito Cinesur, que ocorre entre 24 de julho e 1º de agosto na cidade de Bonito, em Mato Grosso do Sul, terá como homenageada a atriz chilena Paulina García. Conhecida por papéis em produções como “A Noiva do Deserto”, “Narcos” e “Gloria” — filme que lhe rendeu o Urso de Prata de melhor atriz no Festival de Berlim —, García também estará presente na programação por meio do longa “Querido Trópico”, escolhido como filme de abertura do evento.

O festival, que se consolidou como um espaço de integração, exibição e debate do audiovisual sul-americano, reúne neste ano 32 produções cinematográficas de 13 países da América do Sul: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. A coordenadora do Bonito Cinesur, Andrea Freire, destacou a variedade temática das mostras competitivas e paralelas, alinhadas com questões como universo indígena, ditadura, busca pela liberdade, questões sociais e mudanças climáticas.

“A cada ano homenageamos um nome relevante e expressivo do cinema feito no continente para trazer ao conhecimento do público”, explicou Freire em entrevista à Agência Brasil. “E a Paulina García é uma das atrizes mais reconhecidas do cinema latino-americano”, completou.

Além da homenagem a García, o cineasta franco-brasileiro Vincent Carelli será agraciado com o Troféu Pantanal pelo conjunto de sua obra, que inclui filmes como “Corumbiara” e “Martírio” e a criação do projeto Vídeo nas Aldeias, em 1986. A iniciativa de capacitação audiovisual voltada para povos indígenas já contribuiu com a produção de mais de 70 filmes. “O Vincent Carelli é pioneiro ao incentivar os povos indígenas a produzirem e contarem suas próprias histórias através do cinema”, afirmou Freire, lembrando que o projeto recebeu reconhecimento da Unesco, a Ordem do Mérito Cultural do governo brasileiro e prêmios em festivais no Brasil e em outros países.

Entre os destaques da programação está a pré-estreia nacional do filme “Honestino”, dirigido por Aurélio Michiles. O longa reconstitui a trajetória de Honestino Guimarães, líder estudantil, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e símbolo da resistência contra a ditadura militar, perseguido, sequestrado e desaparecido pelo regime em 1973.

Outra atração é a sessão especial de “Minha Terra Estrangeira”, documentário de João Moreira Salles e Louise Botkay, realizado em colaboração com o coletivo Lakapoy. O filme acompanha o líder indígena Almir Suruí e sua filha Txai às vésperas das eleições de 2022, diante da disputa política e da ameaça à Amazônia. Além da exibição, João Moreira Salles ministrará uma aula magna sobre documentários no dia 29 de julho, às 14h30, na Sala Glauce Rocha.

O festival também promoverá palestras, cine debates, atividades formativas e encontros com realizadores. O Bonito CineSur Educa, criado no ano passado, será fortalecido nesta edição como espaço de reflexão e formação livre, incluindo o cinema como possibilidade real para a comunidade de Bonito e região. “Haverá uma Aula Magna com o documentarista João Moreira Salles e a charla cinematográfica com nomes importantes do cinema sul-americano, promovendo o diálogo, o encontro e o fomento às redes colaborativas do cinema continental”, adiantou Freire.

Oficinas também comporão o universo educativo, conectando realizadores, estudantes de cinema e moradores em geral com oportunidades de aprendizagem ao lado de importantes profissionais. Haverá ainda uma programação dedicada ao público infantil, com oficinas de animação e sessões infantojuvenis sul-americanas. “Há também as sessões infantojuvenis sul-americanas, atraindo esse público, em uma cidade onde não há cinema”, ressaltou a coordenadora.

A cerimônia de abertura acontece no dia 24 de julho, às 19h30, com a exibição de “Querido Trópico”, longa dirigido por Ana Endara que acompanha o encontro entre Mercedes, uma mulher rica de meia-idade com demência, e a imigrante colombiana Ana María. Todas as atividades promovidas pelo CineSur são gratuitas. Mais informações sobre o festival podem ser obtidas no site oficial da mostra.

Fonte: Agência Brasil.

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