
Page Six.
A Netflix marcou para 18 de dezembro a estreia de “Ray Gunn”, novo filme de animação dirigido por Brad Bird, responsável por títulos como “Ratatouille”, “Os Incríveis” e “O Gigante de Ferro”. O projeto, no entanto, começou a ser apresentado pelo cineasta a estúdios ainda nos anos 1990 — e só agora encontrou espaço para ser produzido.
O próprio Bird resumiu o longo caminho até a produção com uma referência à famosa cena de Charlie Brown e a bola de futebol. “Eu me identifico principalmente com Lucy e Charlie Brown com a bola de futebol, porque não consigo dizer quantas vezes pensei que aquilo ia acontecer, e então a bola era puxada, e eu caía de costas”, declarou ele.
Segundo o diretor, a natureza do filme ajudou a afastar os estúdios ao longo das décadas. “Ray Gunn” não é uma produção voltada ao público infantil: trata-se de uma obra de estilo neo-noir, que envolve mistério, intriga e assassinato. Apesar de ter classificação PG, o longa está distante do universo de atrações pré-escolares. “Acho que isso é parte do que impedia os estúdios de enxergarem o filme. Nem todo filme de animação precisa ser feito para crianças de cinco anos. Eu simplesmente rejeito isso”, afirmou Bird.
A trama acompanha o detetive particular Raymond Gunn, dublado por Sam Rockwell, na cidade retrofuturista de Metropia. Ele se vê envolvido em um caso que reúne alienígenas, um assassinato e uma estrela multimídia chamada Venus Nova, personagem de Scarlett Johansson.
Para apresentar o projeto, a Netflix realizou um evento fechado para a imprensa em seu centro de animação em Burbank, no fim de julho — cinco meses antes da estreia. Na ocasião, Bird exibiu os primeiros 30 minutos do filme. A programação incluiu ainda atividades como sessões de dublagem, esboços de retratos falados e uma sessão de perguntas e respostas com o compositor Michael Giacchino, colaborador frequente do diretor.
“Ray Gunn” é o primeiro filme de Bird desde 2018 e também sua primeira produção para um serviço de streaming.
Durante o evento, o diretor comentou o avanço da inteligência artificial no cinema. Ele classificou como “perturbador” o pensamento de que modelos de IA possam ser treinados com sua obra, mas disse não ser contrário à adoção de novas tecnologias. “Acho que os políticos estão falhando conosco agora ao não ter cuidado com isso”, disse. “Acho que pode ser extremamente benéfico se for introduzido de forma correta e cuidadosa, e com respeito e compreensão de que pode nos levar a áreas muito sombrias se não tomarmos cuidado. Dito isso, no que se refere a filmes, acho que, desde que seja uma ferramenta para artistas, tudo bem. Se for usada para tentar substituir artistas, então sou completa e totalmente contra.”
Bird também afirmou entender o potencial da IA para reduzir orçamentos de filmes, o que, na visão dele, poderia abrir espaço para mais ideias criativas, sem o temor de um estúdio quebrar por causa de um fracasso de bilheteria. “Quando você faz um filme, existe uma matemática impiedosa, em que seu filme precisa arrecadar duas vezes e meia o que custou para empatar. Isso afeta as decisões das pessoas sobre que tipo de história pode ser feita, e faz com que repitam histórias que já deram certo em vez de criar algo novo”, disse. “Acho que essa é a coisa mais digna que se pode fazer com dinheiro: tentar criar e introduzir coisas novas no mundo.”
Análise WeekNews: O caso de “Ray Gunn” ilustra uma tensão conhecida no mercado de animação: projetos que fogem do público infantil enfrentam resistência de estúdios, mesmo quando assinados por um diretor premiado. A chegada do filme a um serviço de streaming, e não aos cinemas, indica que a plataforma aposta em um nicho de animação adulta que o circuito tradicional historicamente evitou. As declarações de Bird sobre IA, por sua vez, reforçam um debate em curso na indústria sobre o uso da tecnologia como ferramenta de produção e sobre seu impacto nos custos e nas escolhas criativas.
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Fonte: pagesix.com.
Page Six.
2026-09-23 18:53:00

