Brasil registra 81 tornados em 2026 e pode superar recorde anual até dezembro

Brasil registra 81 tornados em 2026 e pode superar recorde anual até dezembro
Fonte da imagem: Agência Brasil

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O Brasil já contabiliza 81 tornados em 2026, número que pode aumentar até o fim do ano e superar o recorde de 92 ocorrências registradas em 2025. Os dados são da Prevots, Plataforma de Registro e Observadores de Tempestades Severas, que reúne meteorologistas voluntários de todo o país. Segundo a instituição, a marca deste ano pode ser ultrapassada até dezembro, o que colocaria 2026 como o ano com maior incidência de tornados da série histórica.

O levantamento da Prevots indica que, entre 2018 e 2025, houve um aumento gradual no número de tornados no Brasil. No entanto, os pesquisadores alertam que não é possível afirmar com certeza que esse crescimento esteja diretamente relacionado às mudanças climáticas. Para eles, a alta pode ser explicada, em grande parte, pela maior capacidade da população de registrar os fenômenos com aparelhos celulares, algo que não era possível em décadas passadas.

Estudos apontam o Brasil como o segundo país mais propenso à ocorrência de tornados no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Essa condição se deve, principalmente, às características climáticas da Região Sul, que favorecem a formação de um tipo específico de tempestade severa chamada supercélula. Mais raras que as demais, essas tempestades costumam provocar quedas de granizo de grandes dimensões e ventos intensos, além de poderem gerar colunas de ar que giram em alta velocidade, em formato de funil, descendo da base da nuvem até o solo.

O meteorologista da Universidade Federal de Pelotas, Vitor Castilho, explica o processo de formação das supercélulas. “As supercélulas se formam em condições onde há diferença de temperatura entre duas massas de ar: uma massa de ar mais quente e úmida e outra de ar mais frio e seco, que geram essas violentas tempestades que adquirem rotação. Essa rotação dentro da supercélula, em alguns casos, acaba se estendendo até o solo, fazendo com que ocorra o tornado”, detalha.

O Sul do Brasil é uma zona de encontro entre massas de ar com diferentes temperaturas e umidades, o que favorece o surgimento de tempestades com potencial para desencadear tornados. O mais recente tornado registrado no país ocorreu na última terça-feira e deixou quatro pessoas feridas e uma série de estragos nos municípios de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, no noroeste do Rio Grande do Sul.

Atualmente, não é possível prever exatamente o local onde a coluna de ar vai tocar o solo. No entanto, é possível antever a chegada das grandes tempestades, conforme explica o meteorologista da Universidade Federal de Santa Maria, Murilo Lopes. “Pra tempestades que são tipicamente capazes de causar tornados, a gente precisa que o vento esteja variando verticalmente, ou seja, ganhando intensidade e também mudando de direção conforme a gente vai subindo na atmosfera. Nesse caso, a gente consegue com alguns dias de antecedência antever, por exemplo, a formação dessas tempestades que vão adquirir rotação ao longo do seu eixo, já com o período de 24, 48 horas aí de antecedência, especialmente para alguma região”, afirma.

Para acompanhar a formação de um tornado, é necessário o uso de radar meteorológico, equipamento que emite ondas eletromagnéticas que interagem com as partículas de água das nuvens. Vitor Castilho ressalta que essas ferramentas são fundamentais para a chamada “previsão de curto prazo”. “Basicamente, é o monitoramento e o alerta da previsão do tempo. Então, o radar meteorológico consegue detectar as tempestades que já estão formadas e identificar dentro delas as assinaturas que podem indicar a presença da rotação dentro da tempestade e até mesmo, em alguns casos, consegue detectar o tornado ocorrendo naquela região. Então, a partir dos dados do radar meteorológico, nós conseguimos antecipar com alguns minutos a ocorrência desses fenômenos”, explica.

Apesar dos avanços nos últimos anos, os dois pesquisadores destacam que os radares brasileiros estão defasados e precisam ser modernizados para que a emissão de alertas à população seja mais eficiente. Murilo Lopes ressalta a necessidade de ampliar a quantidade de equipamentos e a cobertura dos radares. “O importante nesses radares é que tenham uma cobertura que seja feita ali numa área de 250 km. Até é possível ter informações sobre tempestades a uma distância maior, mas se perde muita qualidade nessa informação. Por efeito de curvatura da Terra, esse feixe de ondas vai, na verdade, tá atingindo muito mais longe o topo da tempestade e não a parte que tá próxima à superfície, que é onde os fenômenos de tempo severo estão acontecendo. Então, isso aumenta o número de equipamentos que é necessário, por exemplo, pra cobrir alguns estados”, afirma.

Outro problema apontado pelos especialistas é a falta de preparo das cidades para lidar com eventos meteorológicos de grande magnitude, como tornados, vendavais e quedas de granizo. Vitor Castilho menciona medidas que já são adotadas em outros países. “A principal maneira para evitar os efeitos de um tornado é se escondendo embaixo da terra. Então, a melhor forma seria que fossem construídos abrigos, principalmente em cidades grandes, instalação de sirenes de emergência e também a integração aí com os aplicativos de celular, como estamos vendo recentemente já no Brasil, e também um treinamento, com as equipes, por exemplo, da Defesa Civil, com simulações de evacuação direcionadas em caso desses eventos”, orienta.

Segundo os pesquisadores, por conta da mudança da dinâmica dos ventos, o super El Niño também pode causar o aumento das grandes tempestades na Região Sul neste segundo semestre, acarretando fenômenos meteorológicos mais extremos, incluindo a possibilidade de tornados na região. A recomendação é que a população esteja atenta às previsões meteorológicas e siga as regras de proteção emitidas pela Defesa Civil.

Fonte: Agência Brasil.

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