Câmara aprova urgência para projeto que reduz APA da Baleia Franca em Santa Catarina




Câmara aprova urgência para projeto que reduz APA da Baleia Franca em Santa Catarina
Fonte da imagem: Agência Brasil

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A Câmara dos Deputados aprovou, na última quarta-feira, o requerimento de urgência para um projeto de lei que reduz a Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca, localizada no litoral de Santa Catarina. A medida acelera a tramitação da proposta, que prevê a exclusão de mais de 30 mil hectares da área protegida, mantendo apenas a faixa marinha dentro dos limites da APA.

A APA da Baleia Franca abrange 130 quilômetros de extensão na costa catarinense, desde o fim de Florianópolis, próximo a Palhoça, passando por Garopaba, Imbituba e Tubarão, até Balneário Rincão. Criada nos anos 2000, a unidade de conservação tem como objetivo proteger a biodiversidade terrestre e marinha da região, com destaque para a baleia-franca-austral, espécie ameaçada de extinção que migra da Antártida para se reproduzir na costa brasileira.

O chefe da APA da Baleia Franca, Stéfano Diniz, alertou que os riscos da redução não se limitam à vida marinha, mas afetam todo o ecossistema local. Ele destacou que existem menos de mil indivíduos da baleia-franca no mundo e que a parte terrestre da APA abriga espécies endêmicas ameaçadas, como o butiá, uma planta que só ocorre na região, e o lagarto Tropidurus imbituba, réptil exclusivo do município de Imbituba. “São só dois exemplos de uma vasta gama de animais, plantas e ambientes que podem se deteriorar”, afirmou Diniz.

Na prática, o projeto de lei propõe retirar toda a porção terrestre da APA, mantendo apenas a área marinha a partir da linha de preamar, ou seja, o limite onde o mar chega na maré alta. Isso significa que construções, estradas e atividades humanas na faixa de areia e na mata costeira deixariam de ser reguladas pela unidade de conservação.

A região tem registrado, nos últimos anos, a construção de mansões e casas milionárias, inclusive sobre a faixa de areia e dentro da mata nativa. Desde 2014, essas edificações são alvo de ações judiciais por supostas irregularidades ambientais. A aprovação do projeto pode abrir caminho para a regularização dessas construções e para novos empreendimentos imobiliários na área.

A urgência aprovada pela Câmara permite que o projeto seja votado diretamente no plenário, sem necessidade de passar por comissões temáticas. A medida é vista por ambientalistas como um retrocesso na proteção da biodiversidade catarinense e um risco para o turismo ecológico e a pesca artesanal, atividades econômicas importantes para os municípios da região.

A APA da Baleia Franca é uma unidade de uso sustentável, que permite a ocupação humana desde que respeitadas regras de conservação. Com a redução, a área terrestre perderia a proteção federal, ficando sujeita apenas à legislação municipal e estadual, que em muitos casos é menos restritiva.

Até o momento, não há informações sobre a data da votação do mérito do projeto no plenário da Câmara. O texto ainda precisa ser analisado pelos deputados antes de seguir para o Senado. Organizações ambientalistas já anunciaram que vão mobilizar a sociedade para tentar barrar a proposta.

A reportagem é da Priscila Mazenotti, da Rádio Nacional, com produção de Daniel Ito.

Fonte: Agência Brasil.

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