
A próxima legislatura da Câmara dos Deputados terá a maior bancada feminina de todos os tempos: 108 mulheres foram eleitas no pleito deste domingo (4), um aumento de 18,68% sobre as 91 deputadas de 2022 — 17 a mais. O número foi comemorado pela advogada e professora de Direito Constitucional Damares Medina, que destacou o significado da marca mesmo diante da diversidade de posições políticas entre as eleitas.
“Não importa, cada uma a seu modo e à sua forma, traz a mensagem de que lugar de mulher é onde ela quiser. Não vou submeter uma representante popular eleita a um escrutínio hermenêutico que o homem não é submetido”, afirmou.
O avanço feminino contrasta com a redução de outras bancadas. Os eleitos autodeclarados pretos e pardos conquistaram 135 cadeiras, o equivalente a 26,3% dos 513 deputados federais, uma retração de 2,9% em relação aos 139 eleitos em 2022. No total, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou 10.206 candidaturas de pessoas negras para todos os cargos em disputa, 49,64% do total.
A bancada indígena também encolheu. Apenas três candidatos autodeclarados indígenas garantiram mandato: o deputado reeleito Paulo Guedes (PT-MG), com 126.891 votos; a deputada reeleita Juliana Cardoso (PT-SP), com 111.904 votos; e Sônia Guajajara (PSol-SP), primeira ministra dos Povos Indígenas do governo Luiz Inácio Lula da Silva, reeleita com 54.207 votos pelo quociente eleitoral. O grupo representa cerca de 0,58% da Casa, contra cinco indígenas eleitos em 2022. A Justiça Eleitoral registrou 73 candidaturas indígenas a deputado federal.
No quadro partidário, o Partido Liberal (PL) elegeu a maior bancada, com 121 deputados — 24 a mais que na eleição anterior, conforme projeção baseada em 99,9% dos votos apurados, quando não há mais possibilidade de alteração do resultado. Em seguida vêm a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), com 88 deputados (seis a mais), e a Federação União Progressista (União e PP), com 87. Completam a lista PSD (43), Republicanos (41), MDB (36), Podemos (27), PSB (15), Federação PSol/Rede (15), PSDB/Cidadania (11), Novo (10), PRD/Solidariedade (7), PDT (6), Avante (5) e Missão (1).
Para Damares Medina, o tamanho das bancadas tem efeito prático. “É importante porque cada cadeira é poder. Cada uma delas significa influência, o jogo e vetores do que vai definir como a autoridade no Congresso Nacional é distribuída”, disse. Segundo a advogada, blocos partidários maiores concentram poder na distribuição de orçamento e de emendas parlamentares.
A eleição também registrou recordes de votação. O deputado reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG), de 30 anos, superou 3,11 milhões de votos e se tornou o deputado mais votado da história do país, superando os 1,47 milhão que havia obtido em 2022. Em segundo lugar ficou Lucas Pavanato (PL), de 28 anos, atualmente vereador em São Paulo e youtuber, com 3.038.438 votos. Entre as mulheres, a maior votação foi de Erika Hilton (PSol-SP), reeleita com 1.596.472 votos; ela preside atualmente a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara.
Análise WeekNews: os números da nova composição mostram movimentos em direções distintas. O crescimento da bancada feminina para 108 cadeiras e a concentração de poder no PL, que chega a 121 deputados, convivem com a redução das representações indígena e negra em relação a 2022. Na prática, a próxima legislatura terá uma base feminina maior e uma bancada partidária mais robusta na sigla de maior porte, enquanto a presença de indígenas e de pretos e pardos recua em termos absolutos e proporcionais.
Fonte: Agência Brasil.
