
Em meio ao segundo turno das eleições de 2026, realizado neste domingo (25), seções eleitorais de Brasília registraram a presença de um eleitorado que ainda não vota: crianças levadas por mães, pais e responsáveis para acompanhar de perto o exercício da democracia. O voto é facultativo a partir dos 16 anos e obrigatório para brasileiros de 18 a 70 anos, mas famílias aproveitaram a ida às urnas para apresentar o processo aos filhos.
No Centro de Ensino Médio Paulo Freire, na Asa Norte, a publicitária Polyana Carla Alves Ázara e a internacionalista Luísa Malagoli levaram o filho e o cachorro da família ao local de votação. Polyana Carla, que veio de Goiânia há quatro anos, votou pela primeira vez na capital federal e quis que o filho participasse do momento. “Ele participar disso é muito importante. Penso no futuro em que ele, um dia, poderá pensar ‘eu participei, eu estive neste momento de futuro para mim e para o Brasil'”, afirmou. Ela defende que os governantes pensem em políticas que extrapolem o período de cada mandato. “A gente tem que pensar no futuro das próximas gerações e não apenas no agora.”
Luísa Malagoli diz transmitir ao filho o legado recebido dos pais e considera necessário que ele compreenda o dever do voto. “Este é um dos momentos mais importantes da nossa vida como cidadão. Não adianta ficarmos só reclamando, se não fizermos por onde”, disse. Para ela, a cobrança por ações de governantes e legisladores deve ocorrer também fora dos dias de votação.
No Varjão, a 13 quilômetros do centro de Brasília, a analista de departamento pessoal Elizabete Queiroz Gomes votou acompanhada das filhas Emanuelle, de 10 anos, e Luna, de 9. “É muito importante, desde cedo, a gente já ensinar os nossos filhos, os nossos irmãos mais novos, todos eles, sobre a importância de a gente ter o nosso direito de voto e saber como é que funciona todo o processo”, declarou. Ela relacionou sua escolha ao voto feminino no Brasil, instituído em 1932. “Eu sou uma mulher. E votar tem um peso enorme para nós que somos mulheres brasileiras, já que esta conquista não faz tanto tempo que a gente conseguiu.”
Na mesma escola pública, Siomara Chao, de 59 anos, levou o neto Iyaz, de 4 anos, por patriotismo, ainda que o menino não compreendesse bem as consequências das escolhas feitas na cabine. “Iyaz já canta o Hino Nacional na escola dele, que também ensina o patriotismo. O que acho superpositivo”, disse. Ao lado do marido, o mecânico Plínio de La Pena, de 72 anos, ela afirmou que suas opções nas urnas foram por candidatos que possam garantir o futuro dos quatro filhos e dos 12 netos. “Vir aqui, no domingo, é exercer a nossa cidadania. Fazer valer uma mudança, um progresso futuro para os nossos netos, para os nossos filhos.”
Arcanjo Miguel Mota da Silva, de 7 anos, acompanhava o pai, Nilsemar Ferreira da Silva, sem saber ao certo por que estava no local de votação. O pai acredita que o filho já é beneficiado pelo voto que digitou. “É importante para ele começar a entender a respeito do que se trata a política”, afirmou. “Quero um país melhor. Quero poder sair de casa sem medo de nada, ter segurança. E também priorizo a educação para as crianças.”
Análise WeekNews: A presença de crianças nas seções eleitorais, relatada por famílias de diferentes perfis em Brasília, indica que o ato de votar tem sido tratado por parte dos eleitores como experiência de transmissão cívica, e não apenas como obrigação individual. As declarações colhidas associam a ida às urnas a preocupações com políticas de longo prazo, educação e segurança, temas que os entrevistados vinculam ao futuro dos filhos e netos. O movimento, ainda que restrito às famílias ouvidas, sugere uma dimensão simbólica do pleito que vai além da escolha partidária.
Fonte: Agência Brasil.
