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A Colômbia iniciou uma nova fase política com a posse do presidente conservador Abelardo de la Espriella, ocorrida na sexta-feira. Em seu discurso de posse, ele prometeu reverter grande parte da agenda de esquerda do antecessor, Gustavo Petro, e adotar uma postura mais dura em relação à segurança, à política econômica e aos laços com os Estados Unidos.
Conhecido pelo apelido de “El Tigre” (o tigre), de la Espriella assume o cargo em um momento considerado uma das mudanças políticas mais significativas da América Latina nos últimos anos. Após quatro anos de governo socialista de Petro, marcado pela estratégia de “Paz Total”, pelo aumento do cultivo de coca e por relações cada vez mais tensas com Washington, o novo mandatário enfrenta o desafio de transformar suas promessas de campanha em realidade de governo.
A cerimônia de posse contou com a presença de vários presidentes conservadores da região, incluindo o argentino Javier Milei, o equatoriano Daniel Noboa e o chileno José Antonio Kast. O procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, integrou a delegação americana. Também estiveram presentes o rei da Espanha, Felipe VI, e o presidente da Fifa, Gianni Infantino, conforme noticiou a Associated Press.
Em seu discurso, realizado na base militar do Batalhão Pichincha, em Cali, de la Espriella afirmou: “Vim para fechar um longo capítulo de resignação nacional e, junto com o povo, embarcar na mais profunda transformação do nosso destino”. Ele também enviou uma mensagem firme à população: “Chegou a hora de restaurar a ordem, a autoridade e a liberdade”. Segundo a Reuters, uma de suas primeiras medidas foi aderir ao Escudo das Américas, iniciativa fundada pelo presidente Donald Trump.
Para os Estados Unidos, a Colômbia continua sendo o principal parceiro de segurança na América do Sul, um aliado comercial fundamental e um dos maiores receptores de assistência de segurança americana na região. Centenas de empresas americanas operam no país, e as condições de segurança colombianas afetam diretamente a migração regional, o crime organizado e o tráfico de drogas. Na política externa, o novo presidente se comprometeu a reconstruir os laços estratégicos com os EUA, retomar a cooperação próxima com Israel e adotar uma postura mais dura em relação aos governos autoritários da Venezuela, Cuba e Nicarágua.
No entanto, a capacidade de cumprir essas promessas dependerá de recursos que estão escassos. Camilo Guzmán, diretor executivo do Libertank, alertou que a situação financeira do país definirá o que o governo pode realisticamente realizar. “O presidente de la Espriella herda uma casa com o telhado vazando e o cofre vazio. A ordem importa porque quase tudo o que ele prometeu exige dinheiro que ele não tem”, disse Guzmán, que apontou o quadro fiscal deteriorado como o desafio mais imediato.
Segundo Guzmán, o déficit de 2026 está em torno de 6,5% a 6,7% do PIB, o financiamento necessário é de quase US$ 34 bilhões e o ajuste de médio prazo que ficou para o novo governo é de cerca de cinco pontos percentuais do PIB. “É também um problema de caixa, não apenas contábil. Antes de governar, ele precisa pagar a folha”, acrescentou. O Fundo Monetário Internacional projeta um crescimento econômico de apenas 2,3% para este ano, com inflação ainda elevada, o que limita a margem para financiar novas iniciativas de segurança ou reformas econômicas sem cortes adicionais de gastos ou novas medidas de receita.
A segurança é outro desafio igualmente preocupante. A violência se intensificou em várias regiões, com organizações criminosas e grupos guerrilheiros expandindo sua influência territorial nos últimos anos. Guzmán destacou que “a segurança é o segundo incêndio”. O primeiro semestre de 2026 fechou com o maior número de homicídios para um primeiro semestre em uma década, a extorsão continua aumentando e os grupos armados cresceram fortemente desde 2022. “A segurança é reconstruída em anos, não em trimestres. Espere operações, capturas e retórica dura nos primeiros 100 dias, visíveis e reais, mas ainda não estruturais”, afirmou.
No campo legislativo, mesmo que o governo avance rapidamente com ações executivas, sua agenda dependerá da construção de consenso em um Congresso fragmentado. Embora de la Espriella tenha vencido a eleição presidencial, seu partido controla apenas cinco cadeiras no Senado, enquanto o Pacto Histórico de Petro continua sendo o maior bloco político individual. Reformas de segurança, legislação fiscal e iniciativas econômicas mais amplas exigirão negociações com partidos de centro e tradicionais em praticamente todas as propostas importantes.
Guzmán acredita que essas realidades políticas podem ser tão importantes quanto os desafios de segurança. “Ele ganhou a eleição, não o Congresso. A disputa pela presidência do Senado em julho foi o primeiro aviso. Ele tem uma coalizão numericamente grande e pouco disciplinada. Sua agenda será negociada projeto por projeto”, concluiu. Por isso, analistas alertam que o sucesso do governo não deve ser medido apenas pelos resultados imediatos. Nos primeiros 100 dias, a expectativa é que o presidente estabeleça credibilidade, monte uma equipe de governo eficaz e demonstre que as promessas de campanha podem se transformar em uma estratégia de governo coerente.
Guzmán resumiu: “A expectativa realista é esta: os primeiros 100 dias produzirão sinais, não resultados. Nomeações, decretos, um corte emergencial de gastos, um projeto de lei tributária, um pacote de segurança. Enquanto isso, as expectativas são enormes, e a distância entre o que foi prometido e o que é fisicamente possível em 100 dias é o principal risco político que ele enfrenta. Ele vai passar esses 100 dias colocando a casa em ordem. Ele deveria dizer isso em voz alta, e cedo. Credibilidade é o único ativo que ele pode construir até o dia 100”.
Leia mais aqui em inglês: https://www.foxnews.com/world/trump-ally-el-tigre-sworn-colombias-new-president-amid-continents-rightward-shift.
Fonte: Fox News.
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2026-08-07 21:03:00

