
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro protocolou nesta sexta-feira (17) um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando autorização para que ele possa receber a visita do presidente da Argentina, Javier Milei, em sua residência, onde cumpre prisão domiciliar. O encontro está previsto para o dia 25 de julho, data em que Milei virá ao Brasil e manifestou interesse em se encontrar com Bolsonaro, segundo os advogados.
Além da visita do mandatário argentino, a defesa também requereu que membros da delegação que acompanhará Milei possam participar do encontro. A comitiva será composta pelo ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirino, pela secretária-geral da presidência, Karina Milei, e pelo intérprete Enrique Luis de Boero Baby.
O pedido foi encaminhado ao STF, que é a instância responsável por autorizar ou não a visita, considerando as restrições impostas pela prisão domiciliar de Bolsonaro. O ex-presidente está em regime de prisão domiciliar desde que foi alvo de medidas cautelares determinadas pela Corte, em decorrência de investigações em andamento.
A visita de Milei, que assumiu a presidência da Argentina em dezembro de 2023, ocorreria em um contexto de aproximação política entre o ex-presidente brasileiro e o líder argentino, ambos alinhados a uma pauta conservadora e de direita. Bolsonaro e Milei já haviam demonstrado afinidade ideológica antes mesmo da eleição argentina, com o brasileiro apoiando publicamente a candidatura de Milei.
O encontro, no entanto, depende da autorização judicial, uma vez que Bolsonaro não pode receber visitas sem prévia aprovação do STF. A defesa argumenta que a reunião com o presidente argentino e sua comitiva é de interesse público e diplomático, e que não representa risco à segurança ou ao cumprimento das medidas cautelares.
Até o momento, não há decisão do STF sobre o pedido. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, deverá analisar a solicitação e decidir se concede ou não a autorização. A expectativa é de que a Corte se manifeste nos próximos dias, considerando a proximidade da data agendada para a visita.
A prisão domiciliar de Bolsonaro foi decretada no âmbito das investigações que apuram supostas tentativas de desestabilização do processo eleitoral e ataques ao sistema democrático. O ex-presidente nega as acusações e afirma ser vítima de perseguição política.
A visita de Milei ao Brasil também ocorre em meio a tensões diplomáticas entre os dois países, uma vez que o presidente argentino já fez críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro com Bolsonaro, portanto, pode ser interpretado como um gesto político de Milei em apoio ao ex-presidente brasileiro.
A defesa de Bolsonaro não informou se há outros pedidos de visita pendentes ou se o ex-presidente já recebeu outras visitas durante o período de prisão domiciliar. O caso segue sob sigilo, e o STF não divulgou detalhes sobre o andamento do pedido.
Fonte: Agência Brasil.
