
A 16ª edição do Festival de Cinema de Futebol (Cinefoot) premiou o longa-metragem “Copinha”, dirigido por Joaquim Salles, como Melhor Filme da mostra competitiva internacional. A produção acompanha a trajetória do Esporte Clube Macapá, da capital do Amapá, na edição de 2024 da Copa São Paulo de Futebol Júnior, a Copinha, considerada o principal torneio de futebol sub-20 do mundo.
O diretor é filho do documentarista João Moreira Salles e sobrinho do cineasta Walter Salles, que conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional por “Ainda Estou Aqui”. A obra de Joaquim Salles aborda a luta por visibilidade de jovens atletas que vivem distantes dos grandes centros do futebol nacional.
Na mostra competitiva internacional, o filme superou produções da Argentina, da Espanha e do Reino Unido. O resultado foi definido por meio de voto popular. As exibições do festival ocorreram gratuitamente em quatro salas no Rio de Janeiro, de quinta-feira da semana passada (6) até terça-feira (11), e no Museu do Futebol, em São Paulo, entre as últimas sexta-feira (7) e segunda-feira (10).
Durante aquela edição da Copinha, o Esporte Clube Macapá venceu o Potyguar Seridoense-RN e empatou com o Flamengo de Guarulhos (SP), time anfitrião do Grupo 29, e com o tradicional Vasco. A equipe amapaense classificou-se em segundo lugar na chave e foi eliminada na fase seguinte pelo Ibrachina, clube da capital paulista voltado para categorias de base.
Na categoria de Melhor Curta-Metragem da mostra competitiva internacional, o vencedor foi “Camisa 9”, dirigido por Guilherme Baptista. O filme mostra como três jornalistas negros da família Baptista – Orlando e os filhos Luiz Orlando e Oswaldo – mudaram a forma de abordar o futebol na televisão nos anos 1980, trazendo irreverência e representatividade à famosa mesa-redonda.
O Troféu João Saldanha, que premia obras que destacam o lado humano, libertário e democrático do futebol, foi concedido ao documentário “Coligay”, com direção de Guto Franco e Murilo Megale. O filme relembra o surgimento de uma torcida do Grêmio que se notabilizou por ser a primeira 100% gay do país, criada durante a ditadura militar.
Por fim, o Troféu Museu da Pelada teve como ganhador “Várzea”, documentário dirigido por D’Andrade. A obra retrata memórias do futebol amador jogado nos campos de terra batida, a chamada várzea, e o desaparecimento desses espaços.
O Cinefoot é um festival dedicado ao cinema e ao futebol, e esta edição contou com a participação de produções de diversos países, reforçando a diversidade de olhares sobre o esporte. A premiação, que ocorre anualmente, busca valorizar obras que exploram as múltiplas dimensões do futebol, desde o profissional até o amador, passando por questões sociais, históricas e culturais.
A escolha do público, que definiu o vencedor da mostra internacional de longas, evidencia a receptividade do documentário “Copinha”, que coloca em foco a realidade de clubes de regiões menos favorecidas do país e a importância de competições como a Copinha para a revelação de talentos. A produção de Joaquim Salles, ao acompanhar o Esporte Clube Macapá, também destaca as dificuldades e conquistas de equipes que buscam espaço no cenário nacional.
O festival, que teve exibições presenciais e gratuitas, reafirma seu papel de difusão cultural, aproximando o público de histórias que muitas vezes ficam fora dos holofotes da grande mídia. Com a premiação, o Cinefoot celebra não apenas os filmes, mas também as narrativas que eles carregam, seja no âmbito profissional, amador ou social.
A programação do Cinefoot, que ocorreu simultaneamente no Rio de Janeiro e em São Paulo, contou com uma seleção de obras que abordam o futebol sob diferentes perspectivas, desde a emoção das partidas até as histórias de vida de personagens ligados ao esporte. A edição de 2026, que chega à sua 16ª edição, consolida o festival como um dos principais eventos do gênero no Brasil.
Com a vitória de “Copinha”, o diretor Joaquim Salles, que integra uma família de cineastas renomados, ganha destaque no cenário audiovisual nacional, seguindo os passos do pai, João Moreira Salles, e do tio, Walter Salles. A obra, que já conquistou o público e a crítica, agora se firma como um importante registro do futebol de base no país.
O documentário “Camisa 9”, vencedor na categoria de curta-metragem, resgata a contribuição de jornalistas negros para a televisão brasileira, um tema relevante para a discussão sobre representatividade na mídia. Já “Coligay” e “Várzea”, premiados com troféus especiais, abordam questões de diversidade e memória do futebol, ampliando o leque de temas tratados pelo festival.
Dessa forma, o Cinefoot 2026 reafirma seu compromisso com a valorização do futebol como patrimônio cultural, premiando obras que vão além do esporte e tocam em aspectos sociais, históricos e humanos. A diversidade de temas e abordagens presentes na programação demonstra a riqueza do cinema de futebol e sua capacidade de emocionar e provocar reflexões no público.
Fonte: Agência Brasil.
