
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) confirmou dois novos casos de feminicídio no estado, ocorridos entre sábado (8) e segunda-feira (10). Os crimes aconteceram nas cidades de Pindamonhangaba e Osasco, e ambos os suspeitos já foram identificados e presos. Os casos reforçam um cenário preocupante de violência contra a mulher, que teve aumento de 10% no primeiro semestre de 2026, segundo dados oficiais.
O primeiro caso ocorreu na manhã de segunda-feira (10), em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo. Um homem de 25 anos foi preso em flagrante suspeito de matar a tiros a ex-namorada, de 23 anos. De acordo com a SSP, a vítima possuía medida protetiva de urgência contra o suspeito, o que indica um histórico de violência doméstica. O crime foi registrado na Delegacia de Polícia da cidade como feminicídio, além de localização e apreensão de veículo.
Policiais militares foram acionados para atender uma ocorrência de disparos de arma de fogo e encontraram a jovem caída em via pública, com ferimentos provocados por tiros. O Samu foi chamado, mas constatou a morte da mulher ainda no local. Durante as investigações, familiares e testemunhas apontaram o ex-namorado como possível autor do crime, o que levou as equipes a iniciarem as buscas pelo suspeito.
Em nota, a SSP informou que os policiais localizaram o veículo utilizado pelo homem e, posteriormente, o encontraram em seu apartamento, com ferimentos aparentemente provocados por disparo de arma de fogo. No imóvel, foi apreendido um revólver calibre 38. O local do crime e o apartamento foram periciados, e o corpo da vítima foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). O veículo utilizado pelo suspeito foi apreendido, e ele permaneceu hospitalizado, sob escolta policial.
O segundo caso foi registrado em Osasco, na região metropolitana de São Paulo. Na tarde de segunda-feira (10), a Polícia Civil cumpriu um mandado de prisão contra um homem de 65 anos, investigado pelo feminicídio de sua companheira, de 43 anos. O crime teria ocorrido no sábado (8), segundo a SSP. De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima foi encontrada caída na rua por policiais militares, que foram acionados por testemunhas. A mulher chegou a ser socorrida por uma equipe do Samu, mas não resistiu aos ferimentos.
A SSP informou ainda que, antes de fugir, o homem tentou atacar o filho da vítima. Foram solicitados exames ao IML e ao Instituto de Criminalística (IC) para auxiliar nas investigações. O suspeito foi preso e está à disposição da Justiça.
Os dois casos ocorrem em um momento em que o estado de São Paulo registrou um aumento de 10% nos feminicídios no primeiro semestre de 2026, conforme dados divulgados anteriormente. A nível nacional, as mortes violentas caíram 8,2% em 2025, mas os feminicídios cresceram 4%, o que indica uma tendência preocupante de violência de gênero.
As autoridades reforçam a importância de denunciar casos de violência doméstica e familiar. Medidas protetivas de urgência, como a que existia no caso de Pindamonhangaba, são instrumentos legais para tentar proteger as vítimas, mas, como mostram os casos, nem sempre são suficientes para evitar tragédias. A SSP não divulgou mais detalhes sobre o estado de saúde do suspeito de Pindamonhangaba nem sobre o andamento dos inquéritos.
Os dois homens presos deverão responder pelos crimes de feminicídio, qualificado pela violência doméstica e pelo fato de as vítimas serem mulheres. As penas para esse tipo de crime podem chegar a 30 anos de reclusão, conforme a legislação brasileira. Os casos seguem sob investigação da Polícia Civil, que deve ouvir testemunhas e analisar as perícias para esclarecer as circunstâncias dos crimes.
A população pode denunciar casos de violência contra a mulher pelo número 180, a Central de Atendimento à Mulher, ou pelo 190, da Polícia Militar, em situações de emergência. A denúncia é anônima e pode ajudar a prevenir novos feminicídios.
Fonte: Agência Brasil.
