
O dólar comercial encerrou o pregão desta sexta-feira (30) cotado a R$ 5,446, com avanço de 1,09% no dia, o maior valor de fechamento de 2026. Na semana, a moeda acumulou valorização de 9,15%, a maior desde outubro de 2008, durante a crise financeira internacional. O Ibovespa, principal índice da B3, caiu 0,75% no dia, aos 167.921,80 pontos, e fechou a semana com perda de 18,12%, a mais intensa desde março de 2020, quando recuou 18,88% no início da pandemia de covid-19.
Durante a sessão, o dólar chegou a R$ 5,463 por volta das 16h, antes de reduzir parte dos ganhos. Parte da volatilidade da primeira metade do pregão esteve ligada à formação da Ptax de fim de mês, taxa calculada pelo Banco Central e usada como referência para a liquidação de contratos futuros de câmbio. O resultado desta sexta foi o quinto pregão consecutivo de baixa do Ibovespa.
No acumulado de outubro, o dólar subiu 5,27% e passou a registrar valorização de 0,81% no ano. O Ibovespa caiu 9,88% no mês, o pior resultado desde junho de 2022, quando a perda havia sido de 11,5%.
O desempenho dos ativos brasileiros foi influenciado pela reavaliação das posições dos investidores após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelas incertezas sobre a política fiscal. O mercado aguarda a definição da equipe econômica do próximo governo e a apresentação de medidas relacionadas às contas públicas. Na segunda-feira (26), primeiro pregão após o resultado eleitoral, a queda do índice acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações diante de perdas expressivas.
Outro fator apontado para a pressão sobre o real foi a procura por proteção cambial antes do fim de semana prolongado pelo feriado de Finados, na segunda-feira (2). No cenário internacional, a moeda estadunidense voltou a subir perante divisas de países emergentes em um dia marcado por turbulências ligadas a empresas de tecnologia e de inteligência artificial, que também pressionaram bolsas de outros países.
Análise WeekNews: A combinação de alta semanal do dólar no maior patamar desde 2008 com a pior queda semanal do Ibovespa desde o início da pandemia indica que o mercado brasileiro atravessa um momento de aversão a risco. Os números mostram que a reeleição de Lula foi seguida de ajustes nas posições dos investidores, e a expectativa sobre a equipe econômica e as medidas fiscais tende a continuar influenciando o comportamento dos ativos. A busca por proteção cambial antes do feriado e a turbulência externa no setor de tecnologia reforçam o ambiente de cautela, sem que o material permita afirmar como esses fatores evoluirão.
Fonte: Agência Brasil.
