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Um fenômeno climático de grande intensidade, o chamado “Super El Niño”, pode levar quase 50 milhões de pessoas à fome aguda até o fim de 2027. A projeção, divulgada pelas Nações Unidas, indica que as populações mais vulneráveis de 45 países serão as mais atingidas, com impacto particularmente severo na América Central, no sul e no leste da África, além do sul e do sudeste da Ásia.
Entre os países que devem ser mais afetados estão Sudão do Sul, Chade, Mauritânia, Uganda, Mianmar, Guatemala e El Salvador. Nesses territórios, a crise alimentar já se manifesta de forma dramática: pessoas passam dias inteiros sem se alimentar, enfrentam magreza extrema ou precisam vender seus próprios bens para conseguir comprar comida.
O El Niño é um fenômeno climático natural que ocorre quando as águas do Oceano Pacífico Equatorial se aquecem acima da média. Essa mudança na temperatura dos oceanos afeta a circulação da atmosfera e dos ventos, alterando os padrões de chuva, seca, inundações e temperaturas em diversas regiões do planeta.
O coordenador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites da Universidade Federal de Alagoas, Humberto Alves Barbosa, detalhou os impactos desse fenômeno climático sobre a segurança alimentar. Segundo ele, o El Niño gera insegurança alimentar ao destruir colheitas, encarecer os preços e dificultar a distribuição de comida.
“O El Niño gera insegurança alimentar ao destruir colheitas, encarecer os preços e dificultar a distribuição de comida. Isso acontece por meio da redução da oferta de itens básicos, do impacto de renda dos produtores rurais e da interrupção no transporte de mantimentos. Outro ponto importante é o calor excessivo. As altas temperaturas diminuem a produtividade do campo e afetam a criação de animais”, explicou Barbosa.
De acordo com as Nações Unidas, o número de pessoas em situação de insegurança alimentar aguda poderá aumentar 22% até 2027. O dado revela a dimensão atual da crise global de fome e desnutrição, que tende a se agravar caso medidas efetivas não sejam adotadas.
A ONU destaca a urgência de salvar vidas e proteger os meios de subsistência das populações mais vulneráveis. Para a organização, a elaboração de planos de prevenção para enchentes, secas e tempestades, antes que esses eventos ocorram, pode reduzir as necessidades humanitárias no futuro.
Fonte: Agência Brasil.
