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A cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, dá início nesta quinta-feira (13) à Festa da Boa Morte, celebração que ocorre há mais de duas décadas e reúne missas, procissões, gastronomia e atividades culturais. O evento, que segue até a próxima segunda-feira (17), é organizado exclusivamente por mulheres integrantes da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, entidade que preserva um legado de fé e resistência passado de mãe para filha.
A programação deste ano mantém o caráter religioso e cultural que atrai visitantes de diversas regiões à cidade histórica. De acordo com o administrador do centro cultural da Irmandade, Valmir dos Santos, a organização tem trabalhado para preservar a tradição e ampliar a recepção de turistas. Ele destacou o papel das mulheres na manutenção do ritual, que não depende de registros escritos, mas de uma transmissão oral e ancestral.
“As mulheres daqui preservam e salvaguardam isso com muito vigor. A gente sabe que não existe um livro, uma Bíblia, uma coisa para dar esse norte, para seguir, mas essa força ancestral, de uma passando para outra. E, depois, tiveram a inteligência de, já agora, no início do século XXI, criar um estatuto, justamente para salvaguardar esse processo”, afirmou Valmir dos Santos.
A Irmandade da Boa Morte tem origem histórica ligada à luta pela liberdade. Segundo historiadores, a confraria foi formada por mulheres que haviam sido escravizadas e que se uniram com o objetivo de conquistar a alforria e facilitar a fuga de outros escravizados. Esse passado de resistência permanece vivo na memória das integrantes, que mantêm o compromisso de honrar as ancestrais durante as celebrações.
A atual presidente da Irmandade, Cleusa Maria Santana, explicou o significado da festa e revelou qual é o momento de maior emoção para ela. Em sua avaliação, o ponto alto ocorre no dia 15, quando é celebrada a assunção de Nossa Senhora, momento em que, segundo a tradição católica, a mãe de Jesus é elevada ao céu.
“O momento mais importante para mim é o dia 15. É uma celebração de Nossa Senhora da Glória, na qual ela não morreu, foi uma dormição. E, no dia 15, ela é levada ao céu, a assunção da bem-aventurada Virgem Maria, a mãe de Jesus. A porta para a vitória da humanidade redimida, glória que alcançaremos acolhendo e vivendo a palavra de Deus”, disse Cleusa.
A Festa da Boa Morte é reconhecida como uma das mais tradicionais manifestações religiosas e culturais do Brasil, atraindo fiéis, pesquisadores e turistas interessados na história e na devoção que envolvem o evento. A celebração ocorre anualmente e integra o calendário de festividades do Recôncavo Baiano, região marcada pela forte presença de comunidades negras e por sua relevância histórica no período colonial.
A programação completa do evento, que se estende até a próxima segunda-feira, está disponível no perfil oficial da Irmandade no Instagram, no endereço @irmandadedaboamorte.oficial. A expectativa é de que a festa reúna um grande público, reforçando o papel de Cachoeira como um dos principais polos de turismo religioso e cultural da Bahia.
A realização da festa também movimenta a economia local, com a presença de barracas de comidas típicas, apresentações artísticas e a venda de artesanato. A tradição, que atravessa gerações, segue sendo um símbolo de fé, memória e identidade para as mulheres da Irmandade e para toda a comunidade de Cachoeira.
A Festa da Boa Morte é um exemplo de como a religiosidade popular se mantém viva no Brasil, unindo história, cultura e devoção. A cada ano, a celebração reafirma o compromisso das integrantes da Irmandade com a preservação de um patrimônio imaterial que pertence não apenas à Bahia, mas a todo o país.
A edição deste ano começa nesta quinta-feira e segue até a próxima segunda-feira, com uma série de atividades que prometem emocionar os participantes e manter acesa a chama de uma das mais antigas tradições do Recôncavo Baiano.
Fonte: Agência Brasil.
