Flávio Dino determina bloqueio de R$ 6 milhões de Eduardo Cunha por suspeita de direcionar emendas sem mandato




Flávio Dino determina bloqueio de R$ 6 milhões de Eduardo Cunha por suspeita de direcionar emendas sem mandato
Fonte da imagem: Agência Brasil


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou, no último dia 6 de julho, o bloqueio de R$ 6.150.378 do ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (Republicanos-MG). A decisão, que se tornou pública neste domingo (12) após o levantamento do sigilo judicial, foi motivada por suspeitas de que Cunha, mesmo sem mandato eletivo, teria direcionado pelo menos 21 emendas parlamentares da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados. A destinação de emendas é uma prerrogativa exclusiva de parlamentares em exercício.

Segundo Flávio Dino, as investigações identificaram que as emendas, que somam R$ 6,15 milhões, foram empenhadas e pagas, mas com documentação forjada para ocultar o verdadeiro solicitante. “Das pesquisas realizadas, foram identificadas pelo menos 21 emendas parlamentares, num total de R$ 6,15 milhões, que foram empenhadas e pagas e que, nesse cenário, foram forjadamente documentadas para escamotear o verdadeiro solicitante da indicação”, afirmou o ministro.

A defesa de Eduardo Cunha, em nota enviada à imprensa, negou irregularidades e rejeitou a tentativa de equiparar a legítima interlocução política ao exercício clandestino de mandato parlamentar. Os advogados afirmaram que o ex-parlamentar não foi ouvido nem intimado no processo e que tomou conhecimento da decisão pela imprensa.

A decisão de Dino reconhece a conexão entre o encaminhamento de recursos públicos para Minas Gerais pelo ex-presidente da Câmara e os fatos investigados na primeira etapa da Operação Transparência. Essa operação já havia bloqueado R$ 119 milhões do presidente do Partido Liberal (PL), o ex-deputado federal Valdemar Costa Neto, por indicação irregular de emendas parlamentares.

Durante a Operação Transparência, a Polícia Federal (PF) analisou o aparelho celular da servidora da Câmara dos Deputados Mariangela Fialek, apelidada de Tuca. Foram encontradas mensagens e planilhas que indicam um esquema de direcionamento de emendas comandado por Eduardo Cunha. Cunha não exerce mandato no Congresso desde que teve seu mandato cassado em setembro de 2016 e foi preso pela Operação Lava Jato.

Dino detalhou que Fialek é investigada por ser “a responsável pela organização e encaminhamento das emendas do que se convencionou chamar de orçamento secreto”. O ministro apontou que o orçamento secreto é popularmente reconhecido como uma forma indiscriminada de distribuição de recursos públicos. Na decisão, ele citou o comprometimento da integridade do sistema de emendas, com grave distorção na destinação de recursos. “Fala-se de um espaço aberto para pagamentos motivados por interesses privados ou eleitorais, e não por critérios técnicos ou parlamentares”, escreveu.

Segundo Flávio Dino, o direcionamento de orçamento público a partir da “atribuição artificial de status decisório a pessoa estranha à função formal” configura o crime de peculato-desvio, previsto no Art. 312 do Código Penal. O peculato é caracterizado quando um funcionário público prejudica a administração ao desviar valor ou bem de que tem a posse em razão do cargo, ainda que não haja enriquecimento pessoal direto e imediato do servidor executor. “Não restam dúvidas de que as ações ora investigadas causaram prejuízo ao erário, no ponto em que emendas representativas de mais de R$ 6,1 milhões foram forjadamente encaminhadas e desviadas”, afirmou o ministro. Ele acrescentou: “O fato de que um terceiro não atuante no parlamento brasileiro tinha o poder e a ingerência sobre o direcionamento do orçamento público é gravíssimo e materializa o que de mais nefasto há em termos de desvios envolvendo o tema do orçamento secreto”.

Para tornar indisponíveis todos os bens do investigado até o valor total do prejuízo estimado, Dino determinou o uso do Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (Sisbajud), da ferramenta Restrições Judiciais sobre Veículos Automotores (Renajud) e do cadastro da Central Nacional de Indisponibilidade de Bens (Cnib). Além do bloqueio e sequestro de ativos financeiros e patrimoniais do ex-parlamentar, o ministro suspendeu imediatamente a execução de todas as despesas públicas associadas às emendas sob suspeita, impedindo novos empenhos, liquidações ou pagamentos.

Dino também intimou a Câmara dos Deputados, a Advocacia Geral da União (AGU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) a cumprirem a ordem. A AGU deve comunicar formalmente os municípios beneficiários afetados em até dez dias. Já o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), terá que, em dez dias, apresentar documentos que comprovem a tramitação interna, de modo individualizado, das emendas identificadas pela Polícia Federal. No mesmo prazo, a Câmara, a AGU e a CGU devem informar as providências adotadas para o cumprimento da decisão.

Fonte: Agência Brasil.

Publicidade

Imperdivel!!!

Tabela da Copa do Mundo 2026
Campeonato Brasileiro
Tabela do Campeonato Inglês (Premier League)
Tabela do Campeonato Espanhol (La Liga)
Tabela do Campeonato Alemão (Bundesliga)
Tabela do Campeonato Francês (Ligue 1)
Tabela do Campeonato Italiano (Serie A)