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A cantora Poppy não conseguiu subir ao palco do Upheaval Festival, em Grand Rapids, Michigan, na noite de quinta-feira (17 de julho), devido à qualidade do ar considerada “perigosa” causada pela fumaça de incêndios florestais no Canadá. Enquanto a artista ficou ausente, sua banda de apoio tocou o set inteiro de forma instrumental, usando respiradores N95 por baixo das máscaras de palco habituais.
Poppy era esperada para se apresentar pouco antes dos headliners Gojira, mas, quando o horário chegou, apenas os músicos entraram no palco. Em seus Stories do Instagram, a cantora explicou que o Índice de Qualidade do Ar (AQI) na região ultrapassou 350 perto do início de seu show, tornando impossível cantar. “Não conseguia respirar nessas condições”, escreveu ela, agradecendo aos fãs que enfrentaram o ar nocivo.
De acordo com a escala da Agência de Proteção Ambiental dos EUA, qualquer leitura acima de 300 é classificada como “perigosa”, colocando toda a população em risco de efeitos adversos à saúde. A decisão de Poppy gerou reações nas redes sociais: enquanto alguns criticaram sua ausência, outros defenderam seu direito de proteger a voz e a saúde. O usuário Brandon Cooke, por exemplo, escreveu no X que entendia e respeitava a atitude, afirmando que ela estava “protegendo seu ganha-pão, que é a voz”.
Antes da abertura do festival, os organizadores do Upheaval informaram ao público que o evento ocorreria conforme o planejado e que monitoravam as condições com autoridades locais. “Sua segurança é nossa maior preocupação”, dizia o comunicado, acrescentando que a qualidade do ar deveria melhorar ao longo do dia. O segundo dia do festival está previsto para esta sexta-feira (18 de julho), com Papa Roach como atração principal.
Esta não é a primeira vez que condições extremas atrapalham a performance de Poppy neste verão. Em maio, seu show no Welcome to Rockville, em Daytona Beach, Flórida, foi interrompido após menos de um minuto devido a tempestades severas e protocolos de raios. A situação reflete um padrão mais amplo de interrupções climáticas em festivais ao redor do mundo.
No mês passado, o primeiro dia do Primavera Sound, em Barcelona, foi marcado por caos após chuvas fortes e ventos de até 80 km/h. Shows de Massive Attack, Doja Cat, Bad Gyal, Alex G e Mac DeMarco foram cancelados, com os organizadores citando a impossibilidade de garantir a segurança do público, artistas e equipe. O Massive Attack disse estar “devastado” por não tocar, mas reconheceu que “ninguém pode controlar o clima severo”.
Na Holanda, o festival Defqon.1 foi cancelado após um alerta “código vermelho” por calor extremo, enquanto tempestades forçaram o cancelamento do show principal de Katy Perry no Werchter Boutique, na Bélgica. John Rostron, CEO da Association of Independent Festivals, afirmou que os festivais precisam se adaptar a essas condições extremas. “Isso é algo novo que temos que aprender e planejar para o futuro, porque veio para ficar”, disse ele. “Este é o novo normal.”
Poppy lançou seu sétimo álbum de estúdio, ‘Empty Hands’, em janeiro, sucedendo ‘Negative Spaces’ (2024). O disco marca a reunião com o ex-tecladista e produtor do Bring Me the Horizon, Jordan Fish, e com Stephen Harrison, do House of Protection. Em entrevista antes do lançamento, a cantora disse que continuar a parceria com Fish foi “a escolha certa”, destacando a consistência e a compreensão mútua alcançadas.
A situação no Upheaval Festival levanta novamente o debate sobre a segurança de eventos ao ar livre em meio a condições climáticas adversas, enquanto a indústria musical busca se adaptar a um cenário cada vez mais imprevisível.
Fonte: NME.
NME.
2026-07-18 13:23:00
