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O diretor Garth Jennings detalhou em entrevista o novo filme do Pulp, “What Do You Do For An Encore?”, que chega como um registro celebratório da banda e do reencontro com os palcos. O longa de 90 minutos captura os dois shows esgotados que o grupo fez no The O2, em Londres, no verão passado, e combina narração da própria banda, material de arquivo inédito e imagens raras de bastidores.
Jennings, que já havia dirigido clipes clássicos do Pulp como “Help The Aged” e “A Little Soul”, acompanha no filme a trajetória do grupo de Sheffield, da obscuridade ao status de referência cultural, até a turnê do álbum “More”, o primeiro em 24 anos. O diretor se envolveu no projeto em 2022, quando ofereceu filmar a banda após ouvir rumores de mais uma reunião. A partir disso, foi convidado a ser diretor criativo de todos os visuais da turnê, o que acabou se desdobrando no documentário.
Um dos momentos destacados do show e do filme é a apresentação reduzida de “Something Changed”, faixa de “Different Class”, feita em homenagem ao baixista Steve Mackey, morto em 2023. “Eu adoro quando todos eles aparecem juntos”, disse Jennings. “Houve um momento em que os quatro ficaram na frente de uma cortina e cantaram ‘Something Changed’. Achei aquilo muito emocionante, porque é quando você vê a conexão entre eles, contada através de como chegaram ali, se encontrando numa sala de estar para ver se ainda conseguiam fazer aquilo, e descobrindo que conseguiam.”
Segundo o diretor, imagens antigas de Steve aparecem ao longo do filme e ele segue muito presente na obra. Jennings citou o documentário sobre Martin Short, “Marty, Life Is Short”, para explicar sua visão: “Ele perdeu muitas pessoas na vida, mas diz que o truque é nunca deixá-las ir e mantê-las na sua vida. Pode ser que seja assim que isso funcione. Quando você tem essas canções que estão ligadas ao Steve, isso vai mantê-lo nas nossas vidas.”
O diretor também comentou o que torna a história do Pulp fascinante para ele. “Acho a história deles tão fascinante e, de muitas formas, muito reconfortante”, afirmou. “É cheia de altos e baixos e falsos começos, mas o tempo todo há pequenos sinais — como John Peel tocando eles ou caindo de uma janela — que mostram que a adversidade pode ser seu maior trunfo. Quando as coisas dão errado ou saem como planejado, isso pode ser o começo de um novo capítulo.”
Sobre o retorno da banda aos grandes shows, Jennings disse que o momento é melhor do que nunca. “De muitas formas, eles teriam todos os motivos para não fazer isso. Talvez pudessem ter medo de não corresponder às expectativas, mas esse medo não existe. Foi só: ‘Vamos fazer algo fabuloso’. É uma cultura incrivelmente intoxicante de se estar perto”, declarou.
O diretor descreveu o filme como uma combinação de realismo terreno e showmanship. “É uma contradição porque as canções parecem tão reais e entram nos detalhes das coisas, mas há esse espetáculo na forma como isso é compartilhado”, disse. “É uma combinação realmente ótima de realismo terreno e depois um espetáculo impressionante.”
Jennings explicou que o longa foi pensado para ser o mais celebratório e acessível possível, o que justifica sua duração de 90 minutos. “Prefiro que as pessoas queiram mais do que seja algo que se prolongue demais”, afirmou. Para ele, o Pulp não está fazendo isso para provar nada. “Não é como se eles tivessem que provar algo ou pagar uma hipoteca. É tipo: ‘Vamos sair e abraçar o que fizemos: uma experiência sem desculpas musical e teatral. São 18 pessoas no palco, mas é tão celebratório. Eles não estão fazendo as pazes com as canções; eles estão vivendo elas.'”
Análise WeekNews: O filme de Garth Jennings reforça um movimento do Pulp de revisitar sua trajetória sem se limitar à nostalgia. Ao unir material de arquivo, narração da própria banda e uma homenagem explícita a Steve Mackey, o projeto trata o reencontro como parte viva da história do grupo, e não apenas como um resgate do passado. A escolha de uma performance reduzida de “Something Changed” como um dos pontos centrais indica que a dimensão afetiva e a conexão entre os integrantes ocupam tanto espaço quanto o espetáculo das arenas.
Fonte: NME.
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2026-09-18 08:00:00
