
A Secretaria de Economia do Distrito Federal (Seec) anunciou, nesta terça-feira (11), que vai destinar R$ 2,77 milhões para a organização da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O evento está agendado para ocorrer entre os dias 11 e 19 de setembro, na capital federal. A disponibilização do valor foi confirmada à Agência Brasil um dia após a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, informar, nas redes sociais, que determinou à secretaria que providenciasse os recursos necessários para o festival.
A publicação de Celina ocorreu depois que profissionais do audiovisual criticaram o clima de incerteza em torno da organização do evento. O diretor artístico do festival, Eduardo Valente, chegou a usar as redes sociais para lamentar o possível cancelamento. “O que teremos para amanhã e depois? Difícil dizer, mas, seguramente, nem essa edição nem o futuro deste evento será determinado só por quem estava aqui lutando para organizá-lo. Teremos que ver o quanto as associações em geral, o setor do cinema, o público do DF e até, por que não, outros festivais de cinema do país estarão dispostos a se juntar nessa briga”, escreveu Valente, pedindo a união de todos os envolvidos com cinema para manter o evento.
Nesta terça-feira, Valente voltou ao tema nas redes sociais. “Temos um festival para fazer em 30 dias [e] um anúncio de seleção em uma semana, mas tem muitas páginas”, afirmou, sem dar mais detalhes sobre os desafios enfrentados.
Consultada pela Agência Brasil sobre a determinação da governadora, a Secretaria de Economia confirmou o empenho dos R$ 2,77 milhões destinados ao festival. A Secretaria de Cultura e Economia Criativa ainda não divulgou detalhes do cronograma de pagamento.
O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro foi criado em 1965 e é o mais longevo do setor no Brasil, tendo se consolidado como um importante espaço de debate sobre os rumos do audiovisual brasileiro. O evento só deixou de acontecer em dois anos, durante a ditadura militar (1964/1985). Em meio à crise sanitária da pandemia de covid-19 (2019/2023), foi realizado de forma virtual. Desde 2007, é considerado patrimônio imaterial do Distrito Federal.
A edição de 2026 recebeu número recorde de inscrições de filmes, com 1.928 obras pleiteando uma vaga. A exibição de mais de 80 filmes foi confirmada, o que representa o envolvimento de centenas de profissionais de todo o Brasil. Um diferencial em relação a outros festivais é que as obras selecionadas precisam ser inéditas e os vencedores recebem o Troféu Candango, em homenagem aos pioneiros que construíram a capital.
A confirmação do repasse ocorre em meio a um impasse que gerou preocupação na classe artística. A determinação da governadora foi vista como uma resposta às críticas e à mobilização dos profissionais do setor, que temiam o cancelamento de mais uma edição do festival.
Ainda não há informações sobre como o valor será distribuído ou sobre o cronograma de pagamento, mas a expectativa é de que a organização do evento possa dar continuidade aos preparativos, incluindo a seleção dos filmes e a divulgação da programação oficial.
O Festival de Brasília é um dos mais tradicionais do país e atrai cineastas, produtores e amantes do cinema de todas as regiões. A edição deste ano, que marca a 59ª, promete ser histórica, não apenas pelo número recorde de inscrições, mas também pela superação do impasse financeiro que ameaçou sua realização.
A Agência Brasil continuará acompanhando o desenrolar dos fatos e trará novas informações assim que a Secretaria de Cultura e Economia Criativa divulgar mais detalhes sobre a organização do evento.
Fonte: Agência Brasil.
