
A aprovação do fim da escala 6×1, com redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, foi interpretada pela imprensa internacional como uma vitória política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a menos de duas semanas do segundo turno das eleições. A votação ocorreu no Senado e repercutiu em veículos de diferentes países nesta quinta-feira (15).
O jornal espanhol El País destacou em seu título que “dezenas de milhões de trabalhadores conquistam um segundo dia livre no Brasil, uma vitória política para Lula”. Na Argentina, o Clarín classificou a aprovação como uma “jogada política de Lula: Brasil aprova redução da jornada de trabalho, a menos de duas semanas do segundo turno das eleições”.
O também argentino La Nacion afirmou que a votação é “a grande aposta de Lula antes do segundo turno” e acrescentou que “o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro mudou de posição e anunciou seu voto favorável 48 horas antes da sessão”.
O britânico Financial Times, especializado em economia e finanças, ressaltou que os legisladores brasileiros “votaram para abolir uma semana de trabalho de seis dias na maior economia da América Latina”. O jornal descreveu o resultado como uma “vitória para Lula” próxima ao segundo turno eleitoral e mencionou críticas de grupos empresariais, que reclamam de aumento de custos.
“Terminar a semana de trabalho de seis dias alinhará o Brasil com muitas nações de renda mais alta, onde as horas de trabalho diminuíram à medida que a produtividade e a eficiência melhoraram”, escreveu o Financial Times. O veículo britânico calcula que a mudança pode afetar até 30 milhões de pessoas no Brasil.
O texto da PEC aprovada prevê descanso remunerado obrigatório de dois dias por semana, em jornada máxima de 5×2, sem redução salarial. A proposta também reduz a jornada atual de 44 para 40 horas semanais, com uma regra de transição total de 14 meses.
Pelo texto, 60 dias após a promulgação da emenda constitucional as empresas deverão adotar a escala 5×2 e reduzir a jornada máxima para até 42 horas semanais. Depois de mais 12 meses, a jornada será reduzida para 40 horas semanais.
Análise WeekNews: A repercussão internacional concentra-se menos no mérito trabalhista da proposta e mais em seu peso político imediato. O enquadramento adotado por veículos de Espanha, Argentina e Reino Unido associa a aprovação à corrida eleitoral brasileira, o que indica que a medida passou a ser lida também como sinal do poder de articulação do governo no Congresso às vésperas do segundo turno. A menção do Financial Times a 30 milhões de trabalhadores afetados e a ressalva sobre custos empresariais mostram que a mudança carrega efeitos econômicos de larga escala, cuja dimensão prática dependerá do período de transição de 14 meses previsto no texto.
Fonte: Agência Brasil.
