
A Prefeitura de Itaquaquecetuba, na Região Metropolitana de São Paulo, interditou na quarta-feira (5) toda a extensão da Estrada do Bonsucesso e todas as suas vias de acesso, após o incêndio de grandes proporções que atingiu na terça-feira (4) uma empresa de produtos químicos na região. A medida, segundo a administração municipal, foi tomada por segurança, e a população foi orientada a evitar a área e a utilizar rotas alternativas, respeitando a sinalização e as orientações das equipes de emergência.
A área interditada fica em uma região industrial, a mais de 500 metros das residências mais próximas. Ainda como medida preventiva, cerca de 200 pessoas foram evacuadas do entorno no início do incêndio. A prefeitura disponibilizou um abrigo emergencial no Centro de Convivência da Melhor Idade como ponto de apoio às famílias. Apesar da dimensão do incidente, não houve feridos.
A prefeitura informou que está realizando o monitoramento contínuo das condições ambientais e a avaliação técnica dos gases liberados pelas chamas. A empresa atingida pelo fogo contava com 26 tanques de solventes. “A medida visa garantir a proteção da comunidade que vive no entorno, dos trabalhadores do bairro e das equipes que atuam no atendimento à ocorrência”, disse a administração municipal.
Duas equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) permanecem de prontidão no local para eventual atendimento. Até o momento, foi registrado o atendimento médico de um homem, que apresentou quadro de convulsão e foi encaminhado para uma unidade de saúde do município. A prefeitura orienta que pessoas que residem, trabalham ou passam pelo entorno procurem atendimento médico imediatamente caso sintam irritação intensa nos olhos ou na garganta, tosse persistente, falta de ar, dor no peito, tontura, náusea ou outros sinais de intoxicação. Em situações de urgência, o Samu pode ser acionado pelo telefone 192.
Os moradores das áreas eventualmente atingidas pela fumaça devem manter portas e janelas fechadas, evitar atividades ao ar livre e não ter contato com resíduos, fuligem, líquidos ou outros materiais provenientes da área afetada, alertou a administração de Itaquaquecetuba.
O prefeito de Itaquaquecetuba, Eduardo Boigues, afirmou que o incidente não contaminou a água fornecida pela Sabesp, embora um boato sobre isso tenha se espalhado pela cidade. “A Sabesp emitiu uma nota oficial assegurando que não há qualquer tipo de contaminação ou risco à saúde da população, garantindo a segurança do abastecimento de água potável na cidade”, reforçou.
Boigues disse ainda que, como o local abriga grande quantidade de materiais altamente inflamáveis, como álcool, acetato, resina e propanol, ainda existe risco de novas explosões, embora em menor escala. “A previsão é de que a rotina no bairro seja normalizada ainda hoje. O restabelecimento da energia elétrica, que foi preventivamente suspensa pela EDP para evitar que o fogo se alastrasse pela rede, depende apenas do aval do Corpo de Bombeiros”, afirmou.
Segundo o prefeito, a empresa incendiada operava de forma totalmente regular. “A documentação administrativa está em dia, incluindo o alvará de funcionamento municipal, o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) e a licença de operação emitida pela Cetesb. Além disso, os funcionários utilizavam Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e eram treinados”, disse.
Boigues informou que as causas do incidente ainda estão sob investigação. Uma das hipóteses analisadas é de que um vazamento de materiais inflamáveis, associado ao acúmulo de gases e à eletricidade estática, possa ter dado início ao foco de incêndio.
Segundo o Corpo de Bombeiros, apesar de o incêndio já estar controlado, 35 viaturas e 89 bombeiros continuam empenhados no local para combater o fogo nos resíduos químicos. As equipes também realizam o resfriamento dos tanques que estão incendiados. A corporação conta com o apoio da Defesa Civil, da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, do Departamento de Trânsito, da Polícia Militar (PM), da Guarda Civil Municipal (GCM) e da Secretaria Municipal de Saúde.
A reportagem tentou contato com a empresa Quema Química, mas não teve sucesso.
Fonte: Agência Brasil.
