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A armadora do Indiana Fever Kelsey Mitchell usou parte de sua entrevista coletiva de fim de temporada, no sábado, para descrever o que significa atuar ao lado de Caitlin Clark. Ela falou sobre mensagens hostis nas redes sociais, a atenção constante que cerca a equipe e o quanto alguns dias se tornaram difíceis. “Acho que as pessoas realmente não entendem o quanto nós suportamos, cara”, disse Mitchell. Em seguida, pediu que o público conceda “um pouco de compreensão” às jogadoras.
Parte da cobertura interpretou a fala como uma crítica à torcida do Fever. Para Mitchell, porém, não há essa delimitação: ela mencionou receber “muita pancada” por “estar no time dela”, referindo-se a Clark, e citou pessoas do ambiente do basquete em geral, sem especificar se as mensagens vinham de torcedores de Indiana, de detratores de Clark ou de ambos. A jogadora também elogiou a organização do Fever, chamando-a de “inacreditável”.
Mitchell tem histórico público de elogios a Clark e já reconheceu as oportunidades criadas pela chegada da estrela. Em entrevista recente à SLAM, creditou a Clark e a Angel Reese a abertura de portas para jogadoras de toda a liga. “Quando Angel Reese e a CC chegaram, abriram tantas portas para nós: recursos, financeiro, tudo”, afirmou.
Os números salariais ajudam a dimensionar essa mudança. Segundo o Spotrac, Mitchell acumulou US$ 1.122.442 em ganhos na WNBA entre 2018 e 2025. Seu salário saltou de menos de US$ 60 mil em 2020 para US$ 206 mil na temporada anterior à chegada de Clark e chegou a US$ 1,4 milhão em 2026 — valor superior ao que recebeu nas oito primeiras temporadas somadas. O novo acordo coletivo da liga elevou o teto salarial para esse patamar, ante cerca de US$ 250 mil por ano no modelo anterior. Mitchell está em posição de assinar outro contrato de sete dígitos na free agency desta entressafra.
A audiência associada a Clark é parte central desse crescimento. Cinco jogos da temporada regular transmitidos por ESPN e ABC superaram a média de 2 milhões de espectadores, e todos envolveram o Indiana Fever. CBS, NBC, ION e Prime Video também registraram seus maiores públicos de temporada regular em partidas do Fever. O jogo de encerramento da temporada contra Las Vegas, na quinta-feira, teve média de 2,25 milhões de espectadores entre USA Network e CNBC, tornando-se o segundo jogo de primeira rodada de playoffs mais assistido da história da WNBA. O mais assistido foi justamente Clark e o Fever contra o Connecticut Sun, em 2024.
Mitchell disputou seis temporadas na WNBA antes da chegada de Clark e conhece uma versão da franquia que boa parte do público atual não acompanhou. Em meio ao debate, a armadora do Minnesota Lynx Courtney Williams deu no ano passado um conselho sobre o assédio online: “Aperte o botão de bloquear, cara. Aperte o botão de bloquear e siga em frente.” Ela completou: “Queríamos mais olhos no jogo… Então vamos abraçar isso.”
Análise WeekNews: A trajetória salarial de Mitchell e os índices de audiência citados mostram que a atenção gerada por Clark tem efeitos financeiros concretos para as jogadoras da liga. Ao mesmo tempo, a fala da atleta evidencia que esse mesmo holofote traz um custo pessoal que ela considera subestimado. Os dois elementos fazem parte do mesmo fenômeno e não se anulam: o aumento de visibilidade amplia receita e exposição, mas também multiplica o volume de críticas dirigidas a quem está em quadra ao lado da principal estrela. A discussão pública, no entanto, ganha contornos imprecisos quando a fala de Mitchell é apresentada como um ataque à torcida do Fever sem que ela tenha identificado essa torcida como origem das mensagens.
Leia mais aqui em inglês: https://www.foxnews.com/outkick-sports/kelsey-mitchell-caitlin-clark-comments-deserve-context-benefits-attention.
Fonte: Fox News.
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2026-10-04 14:37:00
