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O Hamas elegeu Khalil al-Hayya como novo chefe de seu bureau político, em uma votação interna secreta que se estendeu por meses. A escolha do veterano negociador, que sobreviveu a múltiplas tentativas de assassinato, foi interpretada por analistas como um sinal de que o grupo terrorista não pretende mudar de rumo. Jaser AbuMousa, pesquisador sênior do Middle East Institute, afirmou ao Fox News Digital que a eleição de al-Hayya não representa uma transição de fato.
“Espere mais do mesmo, deliberadamente”, disse AbuMousa. “Al-Hayya é o principal negociador do Hamas e seu sobrevivente institucional por excelência. Portanto, veremos engajamento contínuo na mesa de negociações, conversas de cessar-fogo e trocas de prisioneiros, mas não confunda isso com moderação.”
A ascensão de al-Hayya ocorre após a morte de Yahya Sinwar, morto por forças israelenses em outubro de 2024. Desde então, o cargo de líder político permaneceu vago por quase dois anos. Para AbuMousa, a demora reflete um paradoxo: “O cargo máximo é essencialmente uma sentença de morte, e isso explica por que a cadeira ficou vazia por tanto tempo depois que Sinwar foi morto.”
Al-Hayya perdeu quatro filhos e outros parentes em operações israelenses. Em setembro de 2025, Israel teria tentado matá-lo no Catar, bombardeando o prédio onde a delegação do Hamas estava hospedada. O próprio al-Hayya sobreviveu ao ataque. “Para um executivo comum, isso seria desqualificante. Dentro do Hamas, é o oposto — sobreviver a um assassinato é um trunfo”, observou AbuMousa.
O analista alertou que a eleição de al-Hayya deve ser vista como um ato de autopreservação institucional. “Uma organização desgastada recorrendo à mão mais familiar disponível”, definiu. Segundo ele, a escolha indica que o Hamas, após a destruição de Gaza e as perdas desde 7 de outubro de 2023, priorizou a coesão organizacional, a continuidade armada e a preservação de sua relação com o Irã em vez de uma reavaliação política genuína.
AbuMousa também destacou que a votação foi interna e não representa a vontade dos cerca de 2 milhões de gazenses. “Esta foi uma votação fechada de um conselho de liderança, não uma eleição dos aproximadamente 2 milhões de palestinos cujas vidas o Hamas afirma representar e que não votam desde 2006. Muitos deles culpam o Hamas por expô-los a essa catástrofe”, afirmou.
O modelo de governança esperado, segundo o especialista, não será um retorno à administração aberta de Gaza, mas algo semelhante ao arranjo do Hezbollah: o Hamas abandonaria a responsabilidade visível, mas manteria suas armas, estruturas de segurança e poder de veto sobre qualquer acordo político. “A verdadeira história é que o Hamas decidiu que sua aposta mais segura era permanecer exatamente o que era: armado, alinhado a Teerã e sem disposição para fazer um balanço de onde suas próprias decisões levaram Gaza”, concluiu AbuMousa.
Al-Hayya deve liderar como seus antecessores: raramente em público, circulando entre Doha e capitais mediadoras, comunicando-se por meio de comunicados e negociadores, com o comando real descentralizado para que nenhum ataque único decapite o movimento. “Uma organização que recompensa quem mais sofreu, e não quem liderou melhor, não tem mecanismo real para corrigir o rumo após uma catástrofe como esta. Isso é o que deveria deixar qualquer um nervoso”, finalizou o analista.
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Fonte: Fox News.
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2026-07-26 21:49:00

