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A defesa de Bryan Kohberger, condenado pelo assassinato de quatro estudantes da Universidade de Idaho, pediu o afastamento do juiz Steven Hippler, que o chamou de “covarde sem rosto” e afirmou não encontrar nada “bom ou intrinsecamente humano” nele durante a sentença. A promotoria, porém, rejeita a alegação de parcialidade e sustenta que as declarações do magistrado não configuram motivo legal para sua remoção.
A moção da nova equipe jurídica de Kohberger foi protocolada em 27 de agosto. Nela, os advogados argumentam que Hippler fez declarações tendenciosas na sentença e apressou o caso rumo ao julgamento quando a defesa anterior do réu não estava pronta. Kohberger, de 31 anos, tenta anular a confissão de culpa e, paralelamente, afastar o juiz responsável pela condenação.
Na sentença, Hippler disse que Kohberger “deslizou” para dentro da casa das vítimas antes de cometer o crime que o tornou “o pior dos piores”. O juiz também comentou a ausência de exigência de que o réu explicasse seus atos como parte do acordo que evitou a pena de morte. “Mesmo se eu pudesse forçá-lo a falar, o que legalmente não posso, como alguém poderia ter certeza de que o que ele diz é a verdade?”, questionou Hippler. “Será que realmente acreditamos, depois de tudo isso, que ele é capaz de falar a verdade, ou de abrir mão de algo de si mesmo para ajudar as próprias pessoas cujas vidas destruiu?”
A promotoria rebateu. Em documento assinado pelo promotor de Latah County, Bill Thompson, que anunciou sua aposentadoria nesta semana, e pelo promotor adjunto Keith Scholl, os representantes do Ministério Público escreveram que, para remover um juiz, “a moção deve mostrar que ‘o juiz é’ parcial”, com ênfase no verbo. “Nenhuma das alegações do peticionário contra este Tribunal — isoladas ou em conjunto — atingiu esse patamar ‘extremamente elevado'”, diz o texto. O documento sustenta ainda que as declarações de Hippler após a admissão de culpa por quatro assassinatos não foram incomuns nem inadequadas, e que o juiz está na melhor posição para julgar eventuais pedidos de revisão pós-condenação.
Kohberger se declarou culpado em 2 de julho de 2025 por quatro acusações de assassinato em primeiro grau e uma de arrombamento pelas mortes a facadas de Madison Mogen e Kaylee Goncalves, ambas de 21 anos, e de Xana Kernodle e Ethan Chapin, de 20 anos. Em 23 de julho de 2025, Hippler o sentenciou a quatro penas consecutivas de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, mais 10 anos, como parte do acordo que evitou a pena de morte. A mudança de confissão ocorreu dias após Hippler negar mais tempo à defesa anterior para a fase de descoberta antes do julgamento.
Em julho, Kohberger apresentou uma petição manuscrita alegando que teve assistência jurídica ineficaz, que sua confissão “não foi feita de forma consciente ou voluntária porque foi induzida por promessas não cumpridas” e que “não foi voluntária por causa de ameaças feitas por seus advogados”. A corte nomeou o advogado Greg Rauch, de Moscow, Idaho, para assumir o caso, e a família do réu contratou o advogado particular Jason Goldman, de Nova York. Hippler deu a Rauch até 13 de novembro — quatro anos exatos após os assassinatos — para apresentar uma petição emendada em nome de Kohberger.
Uma audiência virtual sobre a moção de afastamento do juiz está marcada para 15 de outubro. O caso também prevê duas audiências no próximo ano, concedidas por Hippler, enquanto o condenado busca retirar sua confissão de culpa.
Leia mais aqui em inglês: https://www.foxnews.com/us/kohberger-prosecutors-say-no-idaho-killer-tries-boot-judge-called-faceless-coward.
Fonte: Fox News.
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2026-10-09 11:54:00


