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Lily Allen veio a público explicar por que vários shows de sua turnê pela América do Norte foram transferidos para casas menores. Em entrevista à revista The Cut, a cantora afirmou que a decisão foi motivada pela baixa procura por ingressos: “As vendas não estavam lá”, disse.
A turnê acompanha o álbum “West End Girl”, lançado em 2025, e tem formato teatral: Allen se apresenta sozinha no palco, cantando sobre bases gravadas e sem interagir com a plateia. A etapa norte-americana começou neste mês com um show de grande porte no Madison Square Garden, em Nova York. O restante da agenda, porém, estava inicialmente previsto para arenas espalhadas pelo país.
Em julho, a produção transferiu várias apresentações para locais menores e cancelou uma data planejada em Montreal. Nem todos os shows sofreram alteração, mas alguns casos chamaram atenção pela diferença de capacidade. O show de Chicago, originalmente marcado para o United Center, com capacidade para 23,5 mil pessoas, foi remanejado para o Chicago Theatre, que comporta 3,5 mil. Apresentações em Los Angeles e São Francisco também foram reduzidas.
Na entrevista, Allen contestou a ideia de que a mudança de venues reflita ganância de artistas. “Acho que as pessoas às vezes têm uma ideia equivocada sobre a ganância dos artistas. E, sabe, talvez existam artistas gananciosos, mas deixe-me contar um pouco sobre a mecânica de como essas coisas funcionam: eu não ligo para o MSG e para todos esses outros lugares dizendo: ‘Gostaria de reservar essas datas, por favor.
Muito obrigada. Acho que consigo encher essas arenas'”, declarou. Segundo ela, são os próprios promotores das empresas que detêm sistemas de dados capazes de indicar se os ingressos serão vendidos, e são eles que oferecem aos artistas um determinado valor e propõem a realização dos eventos.
Allen contou que sentiu desconforto com a turnê desde o início. “Eu disse ao meu empresário: ‘Você tem certeza? Isso parece um exagero.’ E ele respondeu: ‘É o que estão me dizendo.’ Então aceitamos”, relatou. Com o passar do tempo, segundo a cantora, ficou claro que o plano não se sustentaria. “Poderíamos ter cancelado todos os shows. Mas tenho uma equipe de cerca de 50 pessoas que todas achavam que estariam trabalhando até outubro. E eu não queria dizer a todas elas que não teriam trabalho”, afirmou. “Nossa outra opção foi perguntar aos promotores se havia outros locais disponíveis mais adequados à demanda.”
A cantora também comentou as dificuldades de entender o funcionamento do mercado de shows ao vivo. “Acho que a indústria ao vivo é um campo minado, e eu não sei como funciona. Já recebi mensagens de pessoas no dia de um show ‘esgotado’ dizendo: ‘Consegui um ingresso por 22 dólares hoje.’ Então, obviamente, um monte de ingressos é liberado de última hora, mas, do nosso lado, nos dizem que aqueles ingressos se esgotaram no dia em que foram colocados à venda. Não sei o que está acontecendo. Alguém sabe, mas não é o artista”, disse.
O formato pouco convencional da turnê já havia sido tema de críticas. Em março, a passagem pelo London Palladium recebeu uma resenha de três estrelas, que destacou a ausência deliberada da dinâmica convencional de concertos, sem banda ao vivo, dançarinos de apoio ou interação com o público. Allen não tem tocado músicas anteriores em seus shows; no slot de abertura, um grupo de cordas chamado Dallas Minor Trio reinterpreta alguns de seus clássicos. A cantora já havia rebatido as críticas ao formato, dizendo estar “extremamente orgulhosa” do trabalho e que a escolha artística era sua, argumentando que “a quarta parede ajuda na narrativa”.
“West End Girl” foi inspirado no fim do casamento de Allen com o ator David Harbour, de “Stranger Things”, embora ela descreva o disco como “autoficcional”, uma mistura de fato e ficção. O álbum recebeu quatro estrelas em outra avaliação, que o classificou como “um retorno cruel, vulnerável e vitorioso”.
Análise WeekNews: A explicação pública de Lily Allen joga luz sobre uma engrenagem pouco visível do mercado de shows: a definição de venues e a venda de ingressos são conduzidas por promotores e seus sistemas de dados, não pelos artistas. O relato da cantora sobre ingressos liberados a preços baixos no dia de apresentações anunciadas como esgotadas indica que a comunicação entre produção, promotores e público pode não ser transparente. No caso da turnê de “West End Girl”, a redução de arenas para teatros e casas menores preservou cerca de 50 empregos e evitou o cancelamento total da agenda, ainda que à custa de ajustes no porte dos eventos.
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Fonte: NME.
NME.
2026-09-15 13:31:00
