Lula exige desculpas de Flávio Bolsonaro após fala sobre nove dedos em debate na Globo

Lula exige desculpas de Flávio Bolsonaro após fala sobre nove dedos em debate na Globo
Fonte da imagem: Agência Brasil


O debate entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na TV Globo, na noite desta sexta-feira (23), foi marcado por um confronto direto logo no início, quando o senador afirmou que o presidente “dá com uma mão e tira com nove dedos”. A declaração fez referência à perda do dedo mínimo da mão esquerda de Lula, ocorrida em 1964, aos 17 anos, quando ele trabalhava como torneiro mecânico.

Lula reagiu de forma indignada e exigiu retratação. “Ele disse uma grande asneira e eu não vou levar para casa. Ele me chamou de nove dedos. Se tem alguém que sabe o que é o mundo do trabalho sou eu. Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos, fui eu. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos, não vou permitir! Você vai ter que pedir desculpa”, afirmou o presidente, que acrescentou que milhões de trabalhadores se acidentam por irresponsabilidade patronal.

Flávio Bolsonaro recuou e pediu desculpas. “Lula, se eu te ofendi, eu te peço desculpa de verdade. Não queria te ofender. Peço desculpa de verdade”, disse. Em seguida, porém, o senador retomou os ataques e cobrou que o presidente se desculpasse com a população em situação de rua, citando o crescimento desse contingente durante o governo atual. Ele também repudiou ter sido chamado de miliciano por Lula.

Segundo dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, 365,8 mil pessoas viviam nas ruas em dezembro de 2025, alta de 55% em relação a 2022 — percentual inferior ao mencionado por Bolsonaro no debate. Pesquisadores apontam que parte do crescimento pode refletir mudanças de metodologia de contagem e a inclusão de pessoas vulneráveis nas políticas sociais.

Políticas sociais e endividamento

Lula questionou o adversário sobre o voto contrário à ampliação da licença-maternidade quando Flávio era deputado estadual no Rio de Janeiro. O senador confirmou o voto e disse que mudou de posição: “Eu votei acreditando que isso poderia dificultar que as mulheres conseguissem arrumar emprego, eu estava errado. Hoje, depois que eu casei, depois que eu tenho duas filhas, mais do que nunca, eu sei da importância da mãe estar perto do filho”. Lula criticou a justificativa e também citou publicações antigas em que Flávio chamou o Bolsa Família de “bolsa-farelo”. O candidato do PL respondeu que pretende manter e ampliar os benefícios sociais.

No tema econômico, Flávio atribuiu ao governo o endividamento das famílias e citou uma dívida de R$ 11 trilhões, referência à Dívida Bruta do Governo Geral medida pelo Banco Central. Ele afirmou que, se eleito, usaria a Caixa Econômica Federal para comprar dívidas dos bancos e refinanciá-las. Lula rebateu dizendo que a renegociação já foi encaminhada ao Senado e mencionou uma operação de R$ 15 bilhões que beneficiou 4,5 milhões de pessoas.

Saúde

Lula também cobrou explicações sobre declarações atribuídas a um integrante da equipe econômica do adversário de que não haveria investimento no SUS, e criticou a gestão da pandemia no governo Bolsonaro. “Como é que você quer melhorar a saúde desse país negando o plano de saúde mais importante que tem em qualquer país com mais de 100 milhões de habitantes?”, perguntou. Flávio respondeu que manteria e ampliaria os investimentos, mas criticou filas e o financiamento do setor. “O tesouraço vai ser na corrupção do atual governo, o tesouraço vai ser na burocracia, o tesouraço vai ser nos impostos que você deu”, afirmou, defendendo ainda o aumento da tabela de procedimentos do SUS e citando o endividamento das Santas Casas.

Análise WeekNews: O embate sobre os “nove dedos” deslocou rapidamente o debate para o terreno biográfico e sindical de Lula, enquanto a retratação de Flávio encerrou o episódio sem que o tema voltasse a dominar. Na sequência, a discussão migrou para terrenos programáticos — licença-maternidade, Bolsa Família, dívida pública e SUS —, com cada candidato tentando associar o adversário a posições impopulares de seu histórico. A menção de Flávio a um percentual de crescimento da população de rua superior ao apontado pelos dados do observatório e a resposta de Lula sobre a Caixa indicam que o confronto de números deve continuar nos próximos encontros.

Fonte: Agência Brasil.

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