
O candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta terça-feira (20), em São Luís, que enviará ao Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para instituir a tarifa zero no transporte público. A assinatura da proposta está prevista para esta quarta-feira (21). A justificativa apresentada pelo candidato é aproveitar a aprovação do fim da escala 6×1, que, segundo ele, dará um dia a mais de lazer aos trabalhadores.
“A partir do ano que vem, o povo vai passar a trabalhar menos. Então, a gente vai garantir que no sábado e domingo o povo tenha transporte gratuito para poder passear”, afirmou em coletiva de imprensa na capital maranhense, onde também participou de passeata.
Ainda em São Luís, Lula disse que esta é sua última campanha presidencial e que, se eleito, o quarto mandato será dedicado a consolidar políticas sociais recentes. Entre as promessas, citou a universalização do Pé-de-Meia para o ensino médio e a criação de um Pé-de-Meia para estudantes universitários, além da continuidade da geração de empregos. O programa Pé-de-Meia foi criado em 2024 como incentivo financeiro-educacional para alunos matriculados no ensino médio público.
No mesmo dia, o candidato seguiu para um ato que percorreu o trajeto entre Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), atravessando a Ponte Presidente Dutra. No município pernambucano, pediu que apoiadores convençam eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno a votar no segundo. “É importante que a gente, nesses últimos dias, vá na casa das pessoas que não votaram, na casa das pessoas que têm 70 anos e acham que não podem mais votar. Convença essas pessoas a votarem pelo Brasil”, declarou.
A abstenção no primeiro turno de 2026 atingiu 33,4 milhões de pessoas, o equivalente a 21,08% do total de eleitores, recorde histórico. A campanha de Lula aposta na redução da abstenção para derrotar Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Em ambas as agendas, Lula relembrou o desafio feito ao adversário durante debate na TV Bandeirantes: abriria seu sigilo bancário e telefônico, bem como o da família, caso Flávio fizesse o mesmo. O candidato confirmou o compromisso e afirmou que o adversário não terá condições de participar do debate da próxima sexta-feira (23), na TV Globo, caso não aceite a proposta.
Flávio Bolsonaro (PL) fez campanha em Goiás e recebeu apoio de cantores sertanejos, entre eles Gusttavo Lima e Zezé di Camargo. Mais tarde, gravou um vídeo na casa de Gusttavo Lima no qual afirmou que, se eleito, dedicará sua vida a quem precisa. “Ajudar as pessoas que precisam, consertar esse país de verdade”, disse.
O candidato mencionou a segurança pública e elencou problemas que, segundo ele, afetam a população. “Eu também sou cidadão e ando com medo nas ruas porque pode vir um cara assaltar a qualquer momento. Está todo mundo endividado, impostos altos. [Sobre] artistas e produtores, está difícil de comprar um ingresso para um show”, afirmou. Ele classificou seu governo como “de mudança” e pediu votos tanto da direita quanto da esquerda: “Hoje não é mais esquerda e direita, hoje é todo mundo querendo mudança”.
Análise WeekNews: A dois dias do debate decisivo na TV Globo, as duas campanhas apostam em frentes distintas. Lula concentra o discurso em propostas de alcance social — tarifa zero e ampliação do Pé-de-Meia — e na mobilização de eleitores ausentes no primeiro turno, contingente que, pelos números registrados, supera largamente a votação de qualquer candidato isolado. Flávio Bolsonaro, por sua vez, busca aproximação com o eleitorado do Centro-Oeste e com o público dos shows sertanejos, setor que o candidato citou diretamente ao falar de custos de ingressos. Os dois movimentos indicam que a reta final será marcada pela disputa por públicos específicos e pela tentativa de ampliar comparecimento às urnas.
Fonte: Agência Brasil.


