
World Soccer Talk.
Paolo Maldini, ex-diretor esportivo da seleção italiana, revelou em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera os bastidores da tentativa da Federação Italiana de Futebol (FIGC) de contratar Pep Guardiola como técnico da Azzurri. Segundo Maldini, o treinador espanhol chegou muito perto de aceitar o cargo, mas acabou recusando por cansaço, após uma década no comando do Manchester City. A declaração foi dada ao explicar os motivos que o levaram a renunciar ao cargo na federação, apenas 16 dias após assumir a função, em meio a um impasse com o presidente Giovanni Malagò pela contratação de Andrea Pirlo.
Maldini foi o principal articulador da investida da FIGC para trazer Guardiola como substituto de Luciano Spalletti, que deixou o comando da seleção após a terceira eliminação consecutiva da Itália na fase de grupos da Copa do Mundo. Na época, Carlo Ancelotti havia renovado com a seleção brasileira, e Guardiola, recém-saído do Manchester City, surgiu como o nome ideal para o projeto. Segundo Maldini, o contato inicial foi feito por meio de amigos em comum, e o interesse do treinador em comandar uma seleção nacional era real.
“Ele é o treinador que mais incorpora o futebol técnico e ofensivo. Através de alguns amigos em comum, ele havia manifestado interesse em dirigir uma seleção. Fomos visitá-lo em Barcelona, almoçamos juntos e conversamos por um dia inteiro. Ele estava muito tentado. Chegou muito perto de aceitar. Ele até começou a escrever as escalações no papel”, contou Maldini.
A reunião em Barcelona contou com a presença do próprio Maldini e do consultor técnico Leonardo, que atuou como intermediário nas negociações. Apesar das especulações de que Guardiola teria exigido um salário anual de 20 milhões de euros (cerca de 22 milhões de dólares), Maldini garantiu que a questão financeira nunca foi um obstáculo. “As condições financeiras nunca foram um obstáculo. Pep deixou claro: deem-me um euro a menos do que o treinador anterior, e estou satisfeito”, afirmou.
O que pesou contra a contratação, segundo Maldini, foi o desgaste físico e mental do treinador após anos de alta intensidade no futebol inglês. “Por cansaço. Guardiola vem de dez anos desgastantes na Premier League. Ele passou por uma cirurgia nas costas. Ele quer descansar. Mas foi uma discussão muito séria; passamos pelos elencos, desde o sub-17 para cima”, explicou o ex-defensor.
Com a negociação com Guardiola encerrada, a federação direcionou a escolha para Andrea Pirlo, ex-meio-campista da seleção italiana e atual treinador. No entanto, a nomeação de Pirlo foi barrada pelo presidente Giovanni Malagò, que alegou supostas ligações do ex-jogador com uma empresa de apostas russa. A decisão gerou um conflito institucional que culminou na renúncia de Maldini e Leonardo.
Maldini, que assumiu o cargo de diretor esportivo em 11 de julho, renunciou em 27 de julho, antes mesmo do início oficial do contrato, previsto para 1º de agosto. Em sua entrevista, ele defendeu a escolha de Pirlo e afirmou que não havia qualquer impedimento legal para a contratação. “Isso definitivamente desempenhou um papel. Nós não sabíamos disso. A mídia fez o seu trabalho. Mas legalmente falando, não havia nada que pudesse impedir Andrea de se tornar o treinador da seleção nacional”, disse.
O ex-jogador do Milan também criticou a postura de Malagò, que, segundo ele, mudou as regras do jogo unilateralmente. “Ele me chamou, junto com Leonardo, e disse: ‘Na minha opinião, não podemos mais contratar Pirlo. A partir de hoje, eu decido o treinador. A partir de hoje, as regras mudam: eu escolho o técnico, e vocês endossam’. Mas se eu tenho um papel, se tenho uma responsabilidade, e pretendo exercê-la, essa é uma proposta inaceitável. Levamos 24 horas e apresentamos nossas renúncias, em um contrato que nem havia começado”, revelou Maldini.
A saída de Maldini e Leonardo ocorreu em meio a uma crise institucional na FIGC, que buscava se reestruturar após o fracasso na Copa do Mundo. A tentativa de contratar Guardiola, embora frustrada, evidenciou a ambição da federação em trazer um nome de peso para comandar a seleção. No entanto, a falta de autonomia para tomar decisões técnicas e a interferência política no processo acabaram por inviabilizar o projeto, resultando na saída precoce da dupla.
Até o momento, a FIGC não se pronunciou oficialmente sobre as declarações de Maldini. A seleção italiana, que não disputa uma Copa do Mundo desde 2014, segue em busca de um novo comandante para a próxima campanha de qualificação. A entrevista de Maldini ao Corriere della Sera traz novos detalhes sobre os bastidores de uma das negociações mais comentadas do futebol europeu, revelando a complexidade das relações entre dirigentes, treinadores e a política interna das federações.
Leia mais aqui em inglês: https://worldsoccertalk.com/news/paolo-maldini-reveals-why-guardiola-rejected-italy-coach-offer-and-why-he-stepped-back-after-president-blocked-pirlo-signing/.
Fonte: World Soccer Talk.
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2026-08-09 19:07:00

