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Foi lançado no Brasil o primeiro Manual de Jornalismo Indígena, uma iniciativa que busca transformar a forma como os povos originários são retratados pela imprensa. A obra, intitulada Poranga Marandúa – Manual de Jornalismo Indígena, foi escrita de forma coletiva por jornalistas indígenas e estudantes de Jornalismo de diferentes povos e biomas brasileiros, e reúne orientações para uma abordagem mais ética, qualificada e livre de estereótipos.
O lançamento foi apresentado no programa Viva Maria, da Rádio Nacional, na segunda-feira (10), durante entrevista da apresentadora Mara Régia com o jornalista Luan Tremembé, coordenador da Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor). Na ocasião, Luan destacou a importância de garantir que os próprios povos indígenas tenham voz na construção das narrativas sobre suas histórias, culturas e lutas.
O nome do manual, Poranga Marandúa, significa “Boas Notícias” em nheengatu, língua de origem tupi ainda falada em parte da Amazônia. A escolha do título também é uma homenagem a Andreza Baré, apontada como a primeira indígena formada em Jornalismo no Brasil. A referência reforça o caráter simbólico da publicação, que busca valorizar a presença indígena no campo da comunicação.
A obra chega em um momento em que cresce o debate sobre a representação midiática dos povos originários, frequentemente marcada por estereótipos, generalizações e ausência de fontes indígenas nas reportagens. O manual pretende oferecer ferramentas práticas para jornalistas e estudantes, com orientações que vão desde o uso correto de termos até a escuta qualificada das comunidades.
A construção coletiva do material é um dos seus diferenciais. Participaram da elaboração jornalistas e estudantes de diferentes povos e regiões do país, o que garante uma pluralidade de olhares e experiências. A diversidade de biomas representada também é vista como um ponto forte, já que as realidades indígenas no Brasil são múltiplas e específicas em cada território.
Durante a entrevista, Luan Tremembé ressaltou que a iniciativa não se limita a criticar a cobertura atual, mas propõe caminhos concretos para uma prática jornalística mais alinhada aos direitos e às perspectivas dos povos indígenas. A ideia é que o manual sirva de referência tanto para veículos de comunicação quanto para escolas de jornalismo.
A publicação também dialoga com um movimento mais amplo de fortalecimento da presença indígena nos meios de comunicação, que inclui a formação de profissionais, a criação de veículos próprios e a ocupação de espaços de decisão. A Abrinjor, coordenada por Luan, tem atuado nesse sentido, articulando jornalistas indígenas de todo o país.
O lançamento do manual ocorre em um contexto de avanços e desafios na pauta indígena no Brasil, que envolve questões como demarcação de terras, preservação cultural e direitos constitucionais. A imprensa, nesse cenário, exerce papel crucial na formação da opinião pública, o que torna ainda mais relevante a existência de um guia voltado à qualificação da cobertura.
A entrevista completa com Luan Tremembé foi ao ar no Viva Maria, programa da Rádio Nacional apresentado por Mara Régia. O programa é conhecido por dar visibilidade a temas relacionados aos direitos das mulheres, mas também abre espaço para discussões sobre diversidade, cultura e cidadania.
Com o manual, os organizadores esperam contribuir para que a imprensa brasileira trate os povos originários com o respeito e a precisão que eles merecem, reconhecendo sua história, sua cultura e suas lutas sem reduzi-los a clichês ou visões exóticas. A obra representa, assim, um passo importante na construção de um jornalismo mais plural e democrático no país.
Fonte: Agência Brasil.
