
Page Six.
A organização do Met Gala já enfrenta controvérsia antes mesmo do anúncio oficial da homenagem ao estilista John Galliano na edição de 2027 do evento. O Metropolitan Museum of Art e a revista Vogue confirmaram na última sexta-feira que o designer, de 65 anos, será o tema da exposição “John Galliano: Horizon”, prevista para o próximo ano, apesar de ele continuar sendo uma figura polarizadora desde as declarações antissemitas que fez em 2011.
De acordo com o jornal The New York Times, a diretora editorial global da Vogue e curadora do Met, Anna Wintour, tem se reunido com rabinos influentes e líderes judeus de Nova York para ouvir suas opiniões sobre os possíveis problemas envolvendo a futura extravagância fashion. O próprio Galliano e Andrew Bolton, curador do Costume Institute do Met, também teriam participado ativamente desses encontros, na tentativa de obter a “bênção” dessas lideranças, conforme publicou o jornal no sábado.
O estilista, que em 2011 trabalhava como diretor criativo da Dior, foi condenado por crime de ódio depois de ser filmado proferindo insultos antissemitas e racistas contra frequentadores de um bar em Paris, além de declarar, embriagado, “eu amo Hitler”. Ele foi multado, teve que pagar custas judiciais e acabou demitido da maison francesa por causa do episódio. Galliano, que na época enfrentava problemas com alcoolismo e dependência química, pediu desculpas posteriormente, alegando não se lembrar do ocorrido. Ele se afastou do mundo da moda, passou por reabilitação e retornou em 2014 como diretor criativo da Maison Margiela.
Apesar da repercussão negativa, alguns líderes judeus que se encontraram com Wintour, Bolton e Galliano reconheceram que o estilista merece uma segunda chance. O rabino Rick Jacobs, presidente da União pelo Judaísmo Reformista na América do Norte, disse ao The New York Times que sentiu a “sinceridade” de Galliano. “Ele foi aberto. Olhou diretamente para nós e falou de forma clara, não como se tivesse memorizado pontos de discussão”, afirmou Jacobs, acrescentando que o temor era de que o evento encontrasse muita resistência, não apenas ceticismo, mas um sentimento de que seria algo errado.
Jonathan Greenblatt, diretor executivo da Liga Antidifamação (ADL), também disse ao jornal que acredita que Galliano “realmente trabalhou as questões que levaram ao seu surto antissemita anos atrás em Paris”. “Já aceitamos seu pedido de desculpas há muito tempo”, declarou Greenblatt. “Seus esforços para reparar o dano que suas palavras causaram e para aprender com aquele incidente devem ser aplaudidos.”
Por outro lado, o rabino Joshua Davidson, líder do Templo Emanu-El, localizado próximo ao Met, pediu que a exposição também aborde as consequências do comportamento passado de Galliano. “O que dissemos a eles é que seria poderoso, comovente e produtivo se eles aproveitassem isso como uma oportunidade para ensinar sobre a realidade do antissemitismo e, de alguma forma, incluir na exposição a importância de lutar contra o ódio e os perigos do antissemitismo neste momento”, afirmou Davidson ao jornal. Ele também previu que alguns membros da comunidade judaica considerariam a exposição “problemática”, dizendo: “As pessoas podem muito provavelmente ficar chateadas com isso. Posso entender esses sentimentos.”
Bolton, que pensa em homenagear Galliano desde 2010, concordou que os organizadores precisavam encontrar uma forma de “manter juntas a realização artística e a responsabilidade ética, sem permitir que uma apague a outra”. Já Wintour, em mensagem de texto ao The New York Times, afirmou que a carreira de Galliano “não é definida por um único momento” e que “não há ninguém mais merecedor de uma exposição dessa escala”.
Nas redes sociais, no entanto, parte da comunidade se mostrou menos tolerante. Vários usuários do X (antigo Twitter) criticaram a decisão. “É simplesmente impressionante que, num momento de aumento do antissemitismo em Nova York, Anna Wintour tenha decidido que *agora* é a hora de homenagear John Galliano”, escreveu uma pessoa, referindo-se aos recentes crimes de ódio na cidade. Celebridades como Kim Kardashian e Zendaya estão entre as famosas que costumam usar as criações de Galliano.
Leia mais aqui em inglês: https://pagesix.com/2026/08/02/style/met-gala-2027-to-honor-controversial-fashion-designer-john-galliano/.
Fonte: pagesix.com.
Page Six.
2026-08-02 10:28:00

