
A Meta comunicou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta sexta-feira (23) que a análise técnica do canal Exército do Lula, criado no WhatsApp para publicações de apoio ao candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não identificou violações às políticas da empresa. A manifestação foi solicitada pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que determinou um pente-fino no canal após pedido da campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo a empresa, que opera WhatsApp, Instagram e Facebook, o exame do conteúdo seguiu as diretrizes de canais da plataforma. “A análise do canal à luz das diretrizes de canais consta da declaração técnica anexa que constatou que não há violação das políticas, detalhando as políticas e metodologia para detecção de conteúdo violador”, afirmou a Meta.
A campanha de Flávio Bolsonaro sustenta que há indícios de que as redes operadas pela Meta não estariam cumprindo o plano de conformidade entregue ao TSE para garantir a integridade do processo eleitoral. A empresa, por sua vez, afirma que a avaliação técnica não encontrou irregularidades no funcionamento do canal.
A disputa em torno do Exército do Lula envolve decisões de diferentes integrantes da Corte. Também nesta sexta-feira, o ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, decidiu que o canal não poderá ser suspenso ou restringido novamente por decisões individuais de membros do tribunal.
Em 11 deste mês, Kassio Nunes Marques havia suspendido o canal, atendendo a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, sob o argumento de que houve replicação de conteúdos já considerados inverídicos pelo tribunal. Na sequência, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Vilas Bôas Cuêva, derrubou a suspensão e afirmou que a liminar foi protocolada na presidência do TSE 41 minutos após sua decisão que havia rejeitado a suspensão do canal. Posteriormente, Kassio Nunes Marques liberou o canal, após o registro oficial no TSE.
Análise WeekNews: O caso reúne, em um único episódio, três movimentos distintos do tribunal: o pedido de apuração formulado pela campanha de Flávio Bolsonaro, a resposta técnica da Meta e a decisão de Floriano de Azevedo Marques que veda novas suspensões individuais do canal. A manifestação da plataforma não encerra a controvérsia, mas desloca o foco para o plano de conformidade entregue ao TSE, cujo cumprimento é questionado pela campanha do candidato do PL. A decisão de Floriano, por sua vez, indica uma tentativa de conter a alternância de decisões monocráticas sobre o mesmo canal, ao restringir novas suspensões a deliberações colegiadas ou a outros instrumentos previstos na Corte.
Fonte: Agência Brasil.
