
Jovens do Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, apresentam neste sábado (10) sete curtas-metragens filmados com o celular na mostra Cine Sesi + Curta Periferias. A exibição ocorre no Galpão Bela Maré, na Rua Bittencourt Sampaio, a partir das 10h, com entrada aberta ao público.
A formação em audiovisual foi realizada no Complexo da Maré entre 11 de agosto e 29 de setembro de 2026, com carga horária de 24 horas. O processo seletivo recebeu 137 inscrições — mais de três candidatos por vaga — e selecionou 40 participantes de 16 a 35 anos, divididos em duas turmas. Ao longo de 22 oficinas, os jovens aprenderam roteiro e outras etapas da realização audiovisual e produziram, em grupo, curtas sobre o território onde vivem. Ao final, 32 participantes concluíram a formação, oito em cada dez selecionados.
Os filmes realizados são: Kemillym Luta, com direção de Kemillym e Letícia Moura; A Dança da Vida, de Jordan Balbino; Memórias da Mata, de Luciana Barros Migrantes; Conexão Maré x África, de Bruno Carlos; Àdurá, de Kley Hudson; Entre a Maré e o Meu Mundo, de Adrielle Soares e Ynara Baltazar; e A Maré Ensina, de Caio Aragão. Juntos, os curtas somam quase 38 minutos de filme. Um júri de cinco profissionais do cinema do Rio de Janeiro avaliou as produções, deixou comentários para cada grupo e escolheu os três curtas premiados com troféus.
A proposta foi desenvolvida pela Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio e implementada pela Universidade Internacional das Periferias (Uniperiferias). O projeto conta com apoio do Conselho Nacional do Sesi, por meio do edital Conexão Sesi, e resulta da união de atividades extracurriculares focadas no desenvolvimento da linguagem cinematográfica como ferramenta pedagógica, em interlocução com a indústria audiovisual.
Para o presidente do Conselho Nacional do Sesi, Fausto Augusto Junior, o jovem da periferia tem histórias para contar e o programa viabiliza essa oportunidade. “O que nós buscamos é viabilizar esse acesso. O Cine Sesi começa com um celular na mão para o jovem aprender sobre cinema. A nossa ideia é viabilizar o mercado de trabalho. A gente quer apoiar projetos que nasçam da realidade de cada território e, a partir disso, ampliar as oportunidades de quem vive aquele local”, afirmou.
Vinícius Mano, gerente de Educação Básica da Firjan Sesi, disse que o projeto tem como objetivo usar a linguagem cinematográfica para despertar o interesse e a curiosidade de desenvolver o pensamento crítico dos estudantes. Já Mateus Affonso, coordenador de Tecnologia e Inovação na Uniperiferias, avaliou que a iniciativa toca na missão de lutar e promover a dignidade de sujeitos periféricos, de moradores de comunidades. “Foi um projeto muito positivo por podermos dar autonomia a jovens e adolescentes que puderam se sentir confortáveis em contar sua própria história e a do seu território. Os curtas envolvem os desejos, as vontades e as potencialidades dessas pessoas que passaram por essa formação”, declarou.
Participante da produção de A Dança da Vida, Jordan Balbino Ferreira, de 26 anos, contou que teve contato pela primeira vez com o conteúdo do audiovisual durante o curso. O curta narra a história de Isis, que cresceu dançando no Centro de Assistência e Desenvolvimento Integral, na Maré, e hoje virou professora no local. “O curso foi muito bom. Eu tive contato pela primeira vez com o conteúdo do audiovisual. Pude ver como poderia realizar produções audiovisuais com meu próprio telefone. Foi bom colocar em prática tudo o que aprendi na sala de aula”, disse.
A programação começa às 10h, com recepção dos convidados. Às 10h30, há apresentação do projeto; às 11h, exibição dos curtas realizados no projeto; às 12h, premiação dos curtas; e às 13h, encerramento. O Galpão Bela Maré fica na Rua Bittencourt Sampaio, s/n, quase em frente à Uniperiferias, na Rua Bittencourt Sampaio, nº 140.
Análise WeekNews: A mostra encerra um ciclo de formação que começou com 137 inscrições e terminou com 32 concluintes e sete filmes produzidos em pouco mais de um mês e meio de oficinas. O uso do celular como ferramenta central indica uma aposta em reduzir barreiras técnicas de entrada no audiovisual, enquanto a exibição pública dos curtas no próprio território dá visibilidade a narrativas formuladas pelos moradores sobre a Maré.
Fonte: Agência Brasil.
