
Os Países Baixos anunciaram nesta segunda-feira (26) a intenção de investir US$ 500 milhões no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), mecanismo internacional de financiamento idealizado pelo Brasil e lançado durante a COP30, em Belém, em 2025. O valor será distribuído ao longo de dez anos, e não desembolsado de uma só vez.
Segundo o governo neerlandês, o aporte reforça a ambição do país em relação às metas climáticas internacionais e à biodiversidade. O ministro do Comércio Exterior e Cooperação para o Desenvolvimento, Sjoerd Sjoerdsma, afirmou que preservar as florestas é fundamental para enfrentar as mudanças climáticas, que ameaçam segurança, prosperidade e liberdades.
“Isso reduz as emissões e é essencial para a resiliência dos ecossistemas, da biodiversidade e do abastecimento alimentar global. Por meio deste compromisso, oferecemos aos países um incentivo sólido e previsível para proteger e conservar suas florestas tropicais”, declarou o ministro.
Com o anúncio, os Países Baixos passam a integrar a coalizão internacional que já sinalizou contribuições ao fundo. Dela fazem parte Brasil, Noruega, Luxemburgo, Indonésia, Alemanha, França, Portugal e Reino Unido.
O funcionamento do TFFF prevê que investidores que comprarem os títulos emitidos recebam juros fixos e estáveis. Os países que conseguirem recuperar e manter suas florestas em pé serão recompensados financeiramente, mas só receberão os valores após verificação por imagens de satélite que confirmem níveis de desmatamento abaixo de limites predefinidos.
O mecanismo também estabelece protagonismo das populações indígenas e dos povos e comunidades tradicionais, que atuam diretamente na proteção das florestas. A proposta é destinar pelo menos 20% dos pagamentos nacionais a esses grupos.
Os idealizadores do TFFF estimam que o fundo poderá proteger mais de 1 bilhão de hectares de florestas em mais de 70 países. A meta é arrecadar ao menos US$ 125 bilhões, sendo US$ 100 bilhões esperados do setor privado e US$ 25 bilhões de governos ao redor do mundo.
Análise WeekNews: o anúncio neerlandês amplia a base de apoio de um fundo que ainda depende de captação muito superior à já sinalizada por governos. A lógica de remunerar países apenas após verificação por satélite e de reservar parte dos pagamentos a povos indígenas e comunidades tradicionais são os elementos que diferenciam o TFFF de mecanismos de financiamento climático já existentes. O aporte parcelado em dez anos indica que o compromisso será testado ao longo do tempo, à medida que as regras de verificação e os desembolsos forem efetivamente colocados em prática.
Fonte: Agência Brasil.
