
Quem passa pelo centro do Rio de Janeiro, nas imediações do Campo de Santana, depara-se com um cenário de abandono: o Palacete Imperial, prédio centenário localizado na esquina da Praça da República com a Rua Visconde do Rio Branco, permanece fechado e degradado, gerando preocupação entre moradores e frequentadores da região.
O imóvel, que testemunhou episódios marcantes da história do país, como a Proclamação da República em 1889, está interditado pela Defesa Civil desde 2008. Apesar do valor histórico e cultural, o palacete acumula denúncias de depredação, ocupação irregular e graves problemas estruturais, conforme relatos de quem vive e trabalha na área.
Segundo moradores, o prédio abriga pessoas em situação de rua, e as promessas de revitalização nunca saíram do papel. A situação se arrasta há anos, sem que nenhum dos projetos anunciados tenha sido concluído, o que intensifica a sensação de abandono e o risco para a segurança e a preservação do patrimônio.
O Palacete Imperial pertence à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desde 1978, quando foi incorporado ao patrimônio da instituição. No passado, o edifício sediou a Escola de Comunicação e o Instituto de Eletrotécnica, mas desde 2012 a responsabilidade pela edificação, tombada como patrimônio da cidade, passou a ser do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A ideia inicial era instalar no local o Centro Nacional de Arqueologia (CNA), mas as negociações não avançaram. Em nota, o Iphan informou que realizou obras emergenciais no Palacete Imperial e que cumpriu todas as intervenções que lhe cabiam no acordo firmado com a UFRJ, incluindo a limpeza da edificação.
O instituto esclareceu que a finalidade prevista para o imóvel era exclusivamente a instalação do CNA. No entanto, diante da atual estrutura organizacional da autarquia e da implantação do centro na sede do Iphan, em Brasília, o edifício deixou de atender à finalidade originalmente estabelecida. O órgão informou ainda que entrou com pedido para encerrar o contrato de responsabilidade com a UFRJ, e o processo segue em tramitação.
Em resposta, o Centro de Operações Rio informou que a estrutura continua interditada pela Defesa Civil por risco de desabamento. Segundo o órgão, foram realizadas cerca de dez vistorias no local desde 2008, e tanto o Iphan quanto a UFRJ foram notificados acerca dos problemas estruturais. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento também emitiu diversos atos de fiscalização para que as providências fossem tomadas.
A Agência Brasil procurou a UFRJ para esclarecimentos, mas a universidade não se manifestou até a publicação desta matéria. A indefinição sobre a responsabilidade e o futuro do Palacete Imperial mantém o impasse, enquanto o prédio segue exposto à degradação e à ocupação irregular, em pleno coração da cidade.
Fonte: Agência Brasil.
