
A Polícia Federal negou neste sábado (10) a existência de um depoimento no qual o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria afirmado ter liberado dinheiro para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A negativa da corporação foi divulgada um dia após a revista Veja publicar a reportagem “Vorcaro conta que liberou dinheiro para filme sobre Lula por negócios no governo”, assinada por Robson Bonin.
Em nota, a PF afirmou que “Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito”.
Diante da publicação, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, representado por membros da Advocacia-Geral da União (AGU), notificou a revista Veja, da editora Abril, solicitando a publicação de direito de resposta. A notificação extrajudicial sustenta que as alegações que tentam associar o presidente Lula e o ministro a supostos recursos financeiros “são falsas, juridicamente nulas e carecem de qualquer fundamentação probatória, conforme atestam as manifestações oficiais dos órgãos de Estado competentes”.
O documento lista notas da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da União e da própria defesa de Vorcaro que, segundo a ação, desmontam a versão veiculada pela revista. A ação também questiona a divulgação da informação falsa a poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais.
O advogado de Vorcaro, Daniel Bialski, disse à Agência Brasil não ter conhecimento desse suposto financiamento. Ele esclareceu que não estava à frente da defesa do ex-banqueiro quando as propostas de colaboração foram apresentadas, mas garantiu que não houve nenhum novo depoimento à PF ou a qualquer outro órgão tratando do assunto. Bialski afirmou não ter tido acesso a qualquer documento que comprove tal financiamento e ressaltou que seu cliente nunca falou com ele sobre isso.
Perícia em áudio
O grupo Prerrogativas, formado por juristas do campo progressista, pediu que a Polícia Federal realize uma perícia no áudio também divulgado pela Veja, a 16 dias do segundo turno das eleições presidenciais, no qual o ex-banqueiro implica Lula. Segundo o grupo, há suspeitas de que a gravação tenha sido adulterada, por meio de montagem de trechos ou uso de inteligência artificial, com a finalidade de interferir no pleito.
O Prerrogativas afirmou não haver informações sobre quando, onde e em quais circunstâncias o áudio teria sido gravado. O grupo declarou ainda ter recebido a informação de que o áudio não seria autêntico ou íntegro, “tendo sido produzido por montagem de trechos gravados em contextos diversos ou por síntese de voz, com a finalidade de interferir no processo eleitoral”.
O grupo alertou que a gravação carece de dados básicos de contexto, como data, local e circunstâncias, e ressaltou que, se confirmada a fraude ou o uso de sintetização de voz, os envolvidos responderão por fraude processual e crimes eleitorais por disseminação deliberada de desinformação.
Análise WeekNews: A sequência dos fatos mostra uma disputa que se desenrola em duas frentes distintas. De um lado, a resposta institucional: a PF desmentiu oficialmente o teor da reportagem, e a AGU acionou a revista para exigir direito de resposta. De outro, a discussão técnica sobre a autenticidade do áudio, que ainda depende de perícia para ser resolvida. O intervalo de 16 dias até o segundo turno, mencionado tanto na notificação quanto no pedido do Prerrogativas, indica que o episódio tende a permanecer no centro do debate eleitoral enquanto as apurações não forem concluídas.
Fonte: Agência Brasil.
