
World Soccer Talk.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, abandonou oficialmente a iniciativa de vender participações minoritárias nos direitos comerciais da entidade para fundos de private equity, após forte resistência de confederações regionais e federações nacionais. Com o arquivamento do projeto, o dirigente suíço deixou de receber um pacote de remuneração avaliado em mais de US$ 35 milhões, conforme noticiado pela imprensa internacional.
A proposta, que previa a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária responsável por comercializar as principais competições da entidade, com a Copa do Mundo masculina como principal motor econômico, previa a venda de uma participação de 20% a 21% para investidores privados. No entanto, a oposição liderada pela Uefa e pela Concacaf foi decisiva para que Infantino recuasse.
Em comunicado oficial, Infantino afirmou que, após ouvir atentamente todas as opiniões, ficou claro que o projeto criou divisões que, independentemente do nível de apoio, não servem mais ao objetivo inicialmente proposto. O dirigente sustentou que a iniciativa foi estruturada para beneficiar o desenvolvimento global do futebol, mas grupos de vigilância financeira e veículos investigativos questionaram essas alegações.
Uma análise financeira publicada pelo jornal The Times revelou que o presidente da Fifa receberia cerca de 30 milhões de euros (aproximadamente US$ 35 milhões) em salário-base e bônus de desempenho vinculados diretamente à execução do projeto FFE. Esse valor contrasta com o salário atual de Infantino na Fifa, de cerca de 3 milhões de euros por ano.
A documentação inicial distribuída pela Fifa projetava que a FFE poderia gerar até US$ 4,2 bilhões em capital inicial, com a promessa de que todas as receitas líquidas seriam revertidas para projetos de base em todo o mundo. Apesar disso, a oposição interna e externa ao plano foi crescente, culminando no recuo do dirigente.
A derrocada do projeto ocorre em um momento delicado para Infantino, que enfrenta oposição crescente às vésperas da eleição presidencial da Fifa em 2027, marcada para Marrocos. A tentativa de capitalizar o sucesso da Copa do Mundo de 2026, impulsionando a FFE e outros veículos comerciais para aumentar o balanço da entidade, acabou tendo efeito contrário e corroeu sua posição política entre blocos eleitorais importantes.
A Federação de Futebol do País de Gales (FAW) retirou formalmente seu apoio a Infantino na segunda-feira, revertendo um compromisso anterior de apoiar sua reeleição. Em nota contundente, a FAW declarou que as recentes falhas em boa governança, processos, liderança, valores, gestão de partes interessadas, comunicação e bom senso levaram a entidade a concluir que o dirigente perdeu a confiança da federação para permanecer à frente do futebol mundial. A nota acrescenta que não colocar os melhores interesses do futebol em primeiro lugar é uma falha inaceitável.
Além disso, a Federação Inglesa de Futebol (FA) também se distanciou do suíço, segundo a ESPN. A entidade estaria redigindo uma correspondência formal à Fifa esclarecendo que Infantino não conta mais com seu apoio, uma mudança drástica em relação ao cenário anterior, quando dirigentes do futebol inglês haviam enviado cartas de endosso para o próximo Congresso eletivo da Fifa, no próximo ano.
A decisão da FA e da FAW representa um duro golpe para Infantino, que agora precisa lidar com o desgaste político e a perda de aliados importantes em um momento crucial de sua gestão. Ainda não está claro quais serão os próximos passos do dirigente diante do cenário adverso, mas a repercussão negativa do caso deve marcar o período que antecede a eleição de 2027.
Leia mais aqui em inglês: https://worldsoccertalk.com/news/gianni-infantino-reportedly-misses-out-on-35m-salary-after-world-cup-sell-off-plan-fails/.
Fonte: World Soccer Talk.
World Soccer Talk.
2026-08-03 21:26:00
