
O poeta, ativista cultural e jornalista Luis Turiba morreu na madrugada desta quarta-feira (26), em Salvador (BA), aos 76 anos. Segundo a família, ele faleceu em casa devido a complicações graves de saúde. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre velório e enterro.
Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma extensa obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, vídeo-documentários, revistas culturais e parcerias musicais. Entre elas, a letra da canção “Bico da Torre”, musicada por Renato Matos e gravada por Zélia Duncan (então Zélia Cristina) e Célia Porto.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia reconheceu que Turiba foi perseguido por razões políticas durante a ditadura militar, concedendo-lhe anistia política. A documentação apresentada por ele comprovou que foi monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da anistia, o Estado brasileiro pediu desculpas formais ao escritor.
Entre 1985 e 2022, Turiba editou, em Brasília, a revista cultural Bric-a-Brac. Lançada no período de redemocratização, a publicação ganhou destaque nacional ao entrevistar personalidades como Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Nise da Silveira e Manoel de Barros.
Após atuar como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para se dedicar à literatura. Nos últimos anos, vivia entre Rio de Janeiro, Salvador e Brasília. Amigos organizam um encontro no bar e restaurante Beirute, tradicional reduto da boemia brasiliense, neste sábado (29) à tarde, para ler poemas em sua homenagem.
O poeta Nicolas Behr destacou o legado de Turiba, especialmente a revista Bric-a-Brac, que classificou como “muito inovadora, tanto do ponto de vista gráfico, quanto de conteúdo”. Behr também lembrou a participação de Turiba no movimento artístico Concerto Cabeças, que reuniu escritores, músicos e intelectuais em eventos culturais nas ruas de Brasília no fim dos anos 1970, e no bloco carnavalesco Pacotão. “O Turiba era um agitador cultural, uma pessoa que vai ser lembrada como alguém alegre, criativo, engajado. Um poeta agregador, do coletivo”, afirmou.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal lamentou a morte e classificou Turiba como um “ícone inestimável” da imprensa e da cultura local, ressaltando que ele recebeu o título de Cidadão Brasiliense. A entidade expressou solidariedade aos familiares e amigos.
Fonte: Agência Brasil.
