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O prefeito de Londres, Sadiq Khan, criticou publicamente os novos planos da Câmara Municipal de Westminster, controlada pelo Partido Conservador, que podem impedir a abertura de novos estabelecimentos no Soho e em grande parte do West End com oferta de “música, dança e entretenimento semelhante”. A proposta, que está em consulta pública, prevê a recusa “normal” de licenças para novos pubs, bares, lanchonetes e locais de entretenimento dentro da Zona de Impacto Cumulativo do West End, que abrange o Soho e a maior parte da região central de Londres.
Em resposta às propostas, divulgada nesta quinta-feira (6 de agosto), Khan afirmou que “não se pode administrar um distrito de vida noturna mundialmente famoso com uma mentalidade de salão de aldeia”. O prefeito também destacou que a hospitalidade e a vida noturna de Londres sustentam empregos, cultura e crescimento, e defendeu que os novos poderes que a Prefeitura deve receber ajudarão a garantir que as decisões considerem os benefícios mais amplos para a cidade.
A declaração de Khan foi publicada em sua conta oficial no X (antigo Twitter), onde ele compartilhou a mensagem e a imagem com o texto completo. A expectativa é que, ainda este ano, o prefeito receba novas atribuições que lhe permitam intervir em decisões de licenciamento tomadas pelos conselhos municipais de Londres em áreas consideradas importantes para a economia noturna da capital.
Um porta-voz do prefeito reforçou a crítica, afirmando que a proposta é “mais uma evidência de que políticas restritivas e contrárias ao crescimento não estão funcionando”. Segundo o porta-voz, em um momento em que os estabelecimentos precisam de apoio mais do que nunca, as regras de licenciamento estão “empilhadas contra eles”.
O rascunho da política também ataca o chamado “consumo em pé” (vertical drinking), recomendando que os locais ofereçam mais assentos e incentivem os clientes a “sentar e apreciar uma bebida e pedir comida pelo serviço de mesa”. A Associação das Indústrias do Período Noturno (NTIA, na sigla em inglês) alertou que as propostas representam “uma mudança significativa de direção que deve preocupar todo o setor de hospitalidade”.
O CEO da NTIA, Michael Kill, expressou preocupação com a introdução de uma política que parece “favorecer um estilo de operação em detrimento de outro, sem demonstrar que isso trará melhores resultados”. A declaração de Kill foi divulgada em meio ao temor do setor de que a medida possa sufocar ainda mais a já fragilizada vida noturna londrina.
Por outro lado, o vice-líder da Câmara de Westminster, Tim Barnes, defendeu as propostas. Barnes afirmou que a intenção é que as pessoas saiam no West End e se divirtam, e que a orientação serve apenas para incentivar os estabelecimentos a gerenciar seus clientes, evitando que as calçadas fiquem lotadas e que o consumo excessivo de álcool perturbe os transeuntes.
A controvérsia ocorre em um momento em que a vida noturna de Londres enfrenta desafios. Em 2024, Khan e a ex-czarina da noite, Amy Lamé, foram criticados por afirmarem que a capital tinha uma “cultura 24 horas”, enquanto apontava-se o declínio do setor, com o fechamento de diversas casas noturnas e bares nos últimos anos. No ano passado, a Câmara de Westminster já havia apresentado um plano para criar “noites tranquilas” e “zonas tranquilas” em sua área, após reclamações de moradores sobre ruído.
A pressão financeira sobre os locais de música é enorme em todo o Reino Unido. De acordo com o relatório anual mais recente do Music Venue Trust, entre julho de 2024 e julho de 2025, 30 locais de música de base fecharam permanentemente e outros 48 pararam de receber shows ao vivo. Além disso, mais de 50% desses locais não registraram lucro no período, e cerca de 6 mil empregos foram perdidos no setor.
Fonte: NME.
NME.
2026-08-06 13:26:00
