
A produção brasileira de leite chegou a 36,7 bilhões de litros em 2025, o maior volume já registrado e o terceiro ano consecutivo de expansão, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal divulgada nesta quarta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa alta de 2,7% sobre 2024, quando a produção somou 35,7 bilhões de litros.
O avanço ocorreu apesar da redução de 2,7% no número de vacas ordenhadas, que totalizou 14,7 milhões de animais — o menor contingente desde 1979, quando o país tinha 14,9 milhões de cabeças. O recorde histórico é de 2011, com 23,2 milhões de vacas, e desde então o indicador mantém tendência de queda.
A combinação entre produção maior e rebanho menor levou a produtividade a crescer 5,6% de 2024 para 2025, alcançando o recorde de 2.498,7 litros por vaca, o terceiro aumento anual seguido. O IBGE atribui o desempenho a condições climáticas favoráveis, investimento em melhoramento genético do rebanho e ao processo de otimização e reorganização da base produtiva, que inclui a saída de produtores, principalmente os menos especializados ou com poucos recursos.
Minas Gerais lidera a produção entre os estados, com 10,1 bilhões de litros, seguido por Paraná (4,8 bilhões), Rio Grande do Sul (4,2 bilhões), Santa Catarina (3,4 bilhões) e Goiás (2,9 bilhões).
Entre os municípios, Castro (PR), cidade de 76 mil habitantes na região dos Campos Gerais, a cerca de duas horas e meia de carro de Curitiba, mantém a liderança, com 532,8 milhões de litros em 2025. Carambeí (PR) aparece em segundo, com 306,8 milhões, seguido por Patos de Minas (MG), com 249,2 milhões; Patrocínio (MG), com 178,7 milhões; Lagoa Formosa (MG), com 161,1 milhões; Coromandel (MG), com 150,3 milhões; Orizona (GO), com 138 milhões; Arapoti (PR), com 137,2 milhões; Itaíba (PE), com 133,7 milhões; e Poço Redondo (SE), com 130,6 milhões.
O valor total da produção pecuária também foi recorde em 2025, alcançando R$ 141,2 bilhões, expansão de 6,2% na comparação com 2024. O leite de vaca respondeu por 63,4% desse montante.
No sentido oposto ao leite, o rebanho bovino caiu pelo segundo ano seguido e ficou em 234,3 milhões de cabeças, o menor número desde 2022, quando somava 234,9 milhões. O analista Octavio Costa de Oliveira explica que a redução faz parte do ciclo da pecuária, com o abate de fêmeas em anos anteriores, o que se reflete na menor capacidade reprodutiva do rebanho. “Às vezes, o produtor abate as suas fêmeas porque o preço da carne está atrativo e, às vezes, o preço do bezerro para repor esse rebanho não está favorecendo a reposição”, afirma. São Félix do Xingu, cidade de 63,4 mil habitantes no sudeste do Pará, segue como o município com maior rebanho, com 2,7 milhões de cabeças. As exportações brasileiras de carne bovina in natura também bateram recordes em 2025, com crescimento de 21,4% em volume e de 42,5% em faturamento, tendo a China como principal destino, responsável por 53,3% do total exportado.
A pesquisa registrou ainda recordes em outros segmentos. O total de galináceos foi estimado em 1,6 bilhão de cabeças, alta de 1,6% sobre 2024, e a quantidade de galinhas chegou a 293,3 milhões, o maior já apurado. A produção de ovos alcançou 5,7 bilhões de dúzias, aumento de 5,7%. Segundo o analista Octavio Costa de Oliveira, a maior demanda pelo produto se explica pelo fato de o ovo ser um substituto mais acessível da proteína da carne. “Dependendo das condições de renda e de preços das carnes, o ovo entra mais forte [na demanda]”, diz, acrescentando como fatores o apelo por alimentação saudável e o uso pela indústria de massas alimentícias.
Os rebanhos de caprinos e ovinos atingiram patamares máximos, com 13,5 milhões e 22,3 milhões de cabeças, respectivamente. A produção de mel chegou a 71,3 mil toneladas, maior valor já registrado, e a de camarão alcançou o recorde de 172,4 mil toneladas. A produção de peixes cresceu 7,1%, somando 783 mil toneladas, com a tilápia representando quase 70% do total.
Análise WeekNews: O recorde de produção de leite em 2025 consolida um movimento de três anos de ganhos de produtividade, em que o aumento dos litros por vaca compensa a redução do rebanho ordenhado. Na prática, o país produz mais com menos animais, o que indica uma reorganização da base produtiva, com a saída de produtores menos especializados. O desempenho do leite, que respondeu por quase dois terços do valor da produção pecuária, contrasta com a queda do rebanho bovino, pressionado pelo ciclo de abate de fêmeas e pela dificuldade de reposição. O conjunto dos dados sugere um setor em transformação, no qual a eficiência por animal e a diversificação — de ovos a camarão — ganham peso relativo.
Fonte: Agência Brasil.

