
O crescimento da participação de partidos conservadores no Congresso Nacional e nos governos estaduais nas eleições de 2026 foi interpretado como uma resposta do eleitorado a temas do cotidiano, segundo avaliação do economista, doutor em ciência política e professor da Universidade de Brasília (UnB) Jeferson Ramos dos Santos.
De acordo com o especialista, as campanhas regionais priorizaram segurança pública, custo de vida, valores e família, pautas que se consolidaram como dominantes nas regiões onde foram eleitos senadores, deputados estaduais e federais e governadores. “Os temas foram bastante relevantes. É um recado muito claro do eleitorado, mas as temáticas não foram abordadas de forma adequada pelo governo federal”, avaliou o professor, ouvido pelo jornalismo da Rádio Nacional.
Para Santos, o cenário eleitoral segue aberto e competitivo para o segundo turno, marcado para 25 de outubro, quando os brasileiros voltam às urnas para decidir quem comandará o país entre 2027 e 2030. “Temos 2% de diferença entre os candidatos e uma abstenção recorde. São algumas dezenas de milhões de eleitores que não se posicionaram. Então, a campanha está aberta e, a partir desta semana, uma nova eleição se coloca na praça”, afirmou.
O professor também projeta que o resultado final da disputa presidencial terá impacto direto sobre a agenda da nova legislatura da Câmara e do Senado, que começa em 1º de fevereiro de 2027. “A agenda, se mais conservadora, pode caminhar menos para temas trabalhistas e, talvez, para uma agenda de valores e mais focada em segurança pública. Mas o resultado da eleição presidencial vai ter impacto para reequilibrar um pouco essas pautas legislativas ou para empurrá-las ainda mais à direita”, estimou.
A propaganda eleitoral do segundo turno retorna nesta sexta-feira (9). Os candidatos à Presidência da República e aos governos de seis estados mais o Distrito Federal poderão fazer campanha até 23 de outubro, dois dias antes do pleito final.
Análise WeekNews: A leitura do professor indica que o recado das urnas em 2026 já reorganiza o eixo temático do Legislativo antes mesmo da definição presidencial. Como a nova legislatura só começa em fevereiro de 2027, o resultado do segundo turno tende a funcionar como um contrapeso ou um acelerador desse movimento conservador, o que mantém indefinida a extensão das mudanças na pauta trabalhista e de costumes até a posse dos eleitos.
Fonte: Agência Brasil.
