
NME.
O governo britânico defendeu que a solução para a crise das turnês de artistas, músicos e equipes técnicas no pós-Brexit é de “interesse europeu compartilhado” e cobrou “progresso real” nas negociações com Bruxelas. A posição foi apresentada pelo ministro do Departamento de Cultura, Mídia e Esporte (DCMS), Ian Murray, em evento realizado na capital belga.
Segundo o ministro, “diante desse cenário, a cooperação importa hoje mais do que nunca”. Murray afirmou que, ao lado de parceiros em toda a Europa, de parceiros da indústria e de organizações como a Cultural Exchange Coalition, é possível transformar “essas ambições compartilhadas em progresso real”.
O setor musical britânico enfrenta desde 2020 o fim da livre circulação para artistas e equipes que desejam trabalhar na União Europeia, situação descrita como um Brexit “sem acordo” para a música ao vivo. Na época, previsões classificadas como “catastróficas” apontavam que o setor seria “prejudicado” e enfrentaria uma ameaça existencial à formação de novos talentos — cenário que, segundo o material, se concretizou e permanece sem solução.
Levantamento do Musicians’ Union divulgado em 2024 apontou que 75% dos artistas registraram queda nas contratações na UE desde o Brexit. Entre eles, 79% não conseguiram compensar a perda de trabalho em outros mercados, e a maioria afirmou que fazer turnê na Europa simplesmente “não é mais financeiramente viável”.
Um estudo recente do UK Music indicou que o impacto do Brexit nas turnês está apenas “piorando”, com a taxa de crescimento reduzida a menos da metade em relação a 2023 — apesar da receita “recordista” reportada pelos nomes de maior destaque do setor.
Além do impasse com Bruxelas, cresce a pressão sobre o governo e a indústria musical para adotar medidas urgentes em outras frentes, como a taxa sobre ingressos destinada a proteger artistas e casas de show de base e a proibição da venda irregular de ingressos por cambistas.
Análise WeekNews: Os números do Musicians’ Union e do UK Music indicam que o problema deixou de ser uma projeção e se tornou um dado consolidado para o setor. A menção do governo a um “interesse europeu compartilhado” sinaliza que Londres tenta enquadrar a questão como pauta de mão dupla, e não apenas como demanda britânica. Ainda assim, o quadro descrito pelos próprios levantamentos — queda de contratações, perda de receita e inviabilidade financeira das turnês — sugere que, sem acordo concreto, a tendência é de agravamento.
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Fonte: NME.
NME.
2026-10-08 09:53:00

