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O segundo dia do Bilbao BBK Live 2026, realizado na encosta do Monte Cometas em Bilbao, foi marcado por duas apresentações que redefiniram o conceito de entretenimento ao vivo. Se a sexta-feira do festival basco já era aguardada como a noite dos grandes shows, o que se viu no palco principal e no Repsol Stage superou as expectativas: Robbie Williams, o artista britânico de maior sucesso na história das paradas do Reino Unido, e a irlandesa CMAT, tratada como sua sucessora natural em termos de carisma, entregaram performances que uniram provocação, emoção e um domínio de palco raro.
Robbie Williams, que acaba de conquistar o 16º álbum número um no Reino Unido, subiu ao palco principal com a missão de provar que ainda é o maior entertainer de sua geração. Durante 90 minutos, o cantor de Stoke-on-Trent transformou sua apresentação em um verdadeiro tratado sobre o show business.
Em determinado momento, enquanto uma faixa no palco perguntava “Robbie é o maior entertainer?”, um dançarino a rasgou para revelar a resposta: “Claro que ele é, porra!”.
A declaração não foi apenas provocativa: veio acompanhada de uma série de covers que incluíram ‘New York, New York’ (com Williams ao piano, usando uma enorme estola rosa e comendo uma banana), ‘Relight My Fire’ do Take That, um medley que foi de Depeche Mode aos Beatles, e ‘My Way’, dedicada ao pai.
O show de Robbie também teve forte presença familiar. Durante ‘Love My Life’, fotos de álbum de família foram projetadas no telão, e sua filha mais velha, Teddy, subiu ao palco para cantar ‘Angels’. O cantor, que já foi conhecido pelo comportamento rebelde, agora equilibra o lado “pai de família” com a arrogância calculada que sempre o caracterizou. “É melhor você ser bom, porque eu sou fenomenal”, disse ele no início do show. E não errou: hits como ‘She’s The One’, ‘Feel’ e ‘Millennium’ foram recebidos com euforia pelo público, o maior do festival até então.
Se Robbie Williams dominou o horário nobre, CMAT – nome artístico de Ciara Mary-Alice Thompson – assumiu a madrugada com a mesma intensidade. À 1h30 da manhã, no Repsol Stage, a cantora irlandesa transformou o que normalmente seria um horário de DJs em um karaokê catártico e barulhento. “Normalmente são só DJs a esta hora, mas não esta noite, baby!”, anunciou.
“Vocês queriam ver um pouco de rock’n’roll country irlandês. Vamos assustar todo mundo que foi ver o Soulwax em vez do CMAT!”. A aposta deu certo: a plateia cantou cada palavra de hits como ‘I Don’t Really Care For You’, ‘Have Fun!’ e ‘Stay For Something’, esta última com Thompson descendo do palco e abrindo uma roda no meio do público.
O carisma de CMAT foi evidente em cada momento. Ela brincou com a plateia ao agradecer a Olivia Rodrigo, que recentemente fez um cover de sua música no BBC Radio 1 Live Lounge, e liderou um coro improvisado de ‘Angels’ de Robbie Williams – que, para surpresa de todos, apareceu no palco para cumprimentá-la.
A cantora, que já lançou três álbuns e viu sua fama internacional disparar após uma apresentação marcante em Glastonbury no ano anterior, mostrou por que é considerada a “Diana de Dunboyne” (em referência à princesa Diana e sua cidade natal). Seu set foi uma mistura de sinceridade, humor e energia inesgotável, com coreografias camp e momentos de pura emoção em faixas como ‘Euro-Country’.
Além dos dois grandes nomes, o segundo dia do Bilbao BBK Live 2026 ofereceu outras atrações de peso. O Alabama Shakes, que anunciou o primeiro álbum em 11 anos, ‘I Must Be Dreaming’, fez um show no final da tarde que lembrou ao público por que a banda ainda é uma força a ser reconhecida. Com a potência vocal de Brittany Howard, os sucessos ‘Hold On’ e ‘I Ain’t The Same’ mostraram que o trio não perdeu a essência, enquanto a nova faixa ‘American Dream’, um protesto contra a administração Trump, deu um gostinho do que vem por aí no terceiro disco.
No San Miguel Stage, o Belle and Sebastian provou que indie pop dos anos 1990 ainda tem apelo, mesmo com parte da plateia dividindo a atenção com o jogo da Copa do Mundo entre Espanha e Bélgica. Stuart Murdoch, de chapéu pork pie, comandou um show cheio de charme, com destaque para ‘Funny Little Frog’ e ‘I Want The World To Stop’.
Já no palco principal, à meia-noite, o projeto TOMORA – parceria entre a norueguesa Aurora e Tom Rowlands, do The Chemical Brothers – levou o público a uma rave interplanetária. Vestidos de branco, Aurora e sua sósia dançaram como robôs enquanto as telas exibiam gatos cor-de-rosa, criaturas alienígenas com cabeças de tulipa e células se contorcendo.
Faixas como ‘I Drink The Light’ e ‘Ring The Alarm’ incendiaram a pista, e Aurora fez questão de lembrar: “Sabemos que o mundo está meio bagunçado por causa das pessoas loucas que estão nos liderando, mas quando olhamos para seus rostos lindos, vemos que há tanto de bom. Obrigada por serem maravilhosos”. O festival se encerra neste sábado, 11 de julho, com apresentações de Lily Allen, IDLES, Horsegiirl e Interpol.
Fonte: NME.
NME.
2026-07-11 09:39:00

