
World Soccer Talk.
A despedida de Cristiano Ronaldo da Copa do Mundo de 2026 foi amarga. O atacante português, que sonhava com um encerramento de carreira internacional à altura, viu Portugal ser eliminado nas oitavas de final pela Espanha, por 1 a 0, com gol de Mikel Merino nos acréscimos. O desempenho do camisa 7 ficou aquém das expectativas: ele marcou apenas três gols em seis partidas, sendo um de pênalti, e passou em branco justamente na partida decisiva. A campanha modesta reacendeu o debate sobre o declínio físico do jogador de 41 anos, e quem ofereceu uma análise cirúrgica foi o ex-atacante brasileiro Ronaldo Nazário, o Fenômeno.
Em participação no programa “Resenha do 9”, da ESPN Brasil, Ronaldo explicou por que Cristiano Ronaldo e também Neymar já não conseguem mais impor seu jogo como antes. Para o bicampeão mundial, o corpo dá sinais claros de que o atleta não consegue mais manter o mesmo nível de explosão e intensidade. “Normalmente seu corpo avisa que você não consegue mais acompanhar. Acho que tanto o Cristiano quanto o Neymar chegaram a esse ponto de acordo entre eles e seus corpos — a batalha com seu corpo é realmente difícil, muito dura de vencer”, afirmou.
O ex-jogador de Barcelona e Real Madrid destacou que, embora Cristiano Ronaldo ainda tenha nível para atuar na Arábia Saudita, onde defende o Al Nassr, a exigência de uma Copa do Mundo é muito maior. “Cristiano teve uma longevidade ainda maior, mas talvez ele ainda tenha nível para jogar na Arábia Saudita, enquanto numa Copa do Mundo, como vimos, é muito mais difícil, o nível é muito mais alto”, disse Ronaldo.
Ronaldo Fenômeno também descreveu o processo de adaptação forçado que jogadores explosivos enfrentam quando perdem a capacidade de superar adversários com velocidade e força. “Antes você passava por todo mundo, passava por cima — agora não é mais assim, você tem que encontrar outras soluções. Acho que é basicamente isso. Apesar da nossa paixão, do nosso amor pelo jogo, do nosso desejo de jogar para sempre, no final, é o corpo que decide por nós”, concluiu.
A análise ecoa o que os números da última Copa mostraram. Cristiano Ronaldo começou o torneio sem gols contra a República Democrática do Congo, marcou dois gols contra o Uzbequistão na fase de grupos e converteu um pênalti contra a Croácia nas oitavas de final. Depois disso, sumiu: não balançou as redes na derrota para a Espanha, que decretou o fim do sonho português. Ainda assim, o atacante entrou para a história ao se tornar o primeiro jogador a marcar gols em seis edições diferentes de Copas do Mundo, um recorde que dificilmente será superado.
A campanha discreta contrasta com a trajetória de glórias do português, que já foi eleito cinco vezes o melhor jogador do mundo e conquistou a Eurocopa de 2016 e a Liga das Nações de 2019 por Portugal. O próprio Cristiano Ronaldo confirmou que a Copa de 2026 foi a última de sua carreira internacional, encerrando um ciclo de mais de duas décadas na seleção.
Para Ronaldo Fenômeno, a queda de rendimento não é uma questão de vontade ou dedicação, mas sim de limitação física inevitável. O brasileiro, que também sofreu com lesões e precisou se reinventar ao longo da carreira, sabe bem do que fala. Aos 47 anos, ele próprio se aposentou em 2011 após conviver com problemas no joelho que o obrigaram a mudar seu estilo de jogo.
A declaração do ex-atacante brasileiro reacendeu o debate sobre o envelhecimento de atletas de alto rendimento e a dificuldade de aceitar os próprios limites. Enquanto Cristiano Ronaldo segue atuando na Arábia Saudita, onde ainda é um dos principais nomes da liga, a impressão que ficou na Copa é a de que o tempo, implacável, venceu mais uma batalha.
Leia mais aqui em inglês: https://worldsoccertalk.com/news/brazil-legend-ronaldo-explains-why-cristiano-ronaldo-can-no-longer-do-what-made-him-unstoppable/.
Fonte: World Soccer Talk.
World Soccer Talk.
2026-07-17 16:12:00
