
Page Six.
Mark Ruffalo não compareceu à noite de abertura do Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF), onde seu novo filme, “Being Heumann”, foi exibido em gala. Segundo um representante da Apple, distribuidora do longa, o ator está em produção da série “Task” na Filadélfia e não pôde participar do evento.
A ausência do ator, conhecido por interpretar o Hulk no universo Marvel, evitou que a noite de estreia fosse ofuscada por novas declarações polêmicas. Ruffalo tornou-se uma das vozes mais visíveis — e controversas — contra a fusão entre Paramount e Warner Bros. Em agosto, publicações suas em redes sociais ligaram a liderança judaica da Paramount à tecnologia militar de Israel e acusaram esses executivos de cumplicidade em genocídio. As postagens foram repudiadas pela Paramount e por entidades judaicas como o Centro Simon Wiesenthal e a Liga Antidifamação, que classificaram o conteúdo como propagação de “estereótipos antissemitas”.
O filme, dirigido por Sian Heder, retrata a ativista dos direitos das pessoas com deficiência Judy Heumann. Ruffalo interpreta Joseph Califano, burocrata do governo Carter e principal antagonista da comunidade de pessoas com deficiência na trama, ambientada nos anos 1970. A Apple, que distribui o longa e é conhecida por evitar controvérsias, não teve de lidar com possíveis declarações do ator no palco. Em 2023, a empresa já havia vetado uma aparição em vídeo de Volodymyr Zelensky na estreia de “Assassinos da Lua das Flores”, em Cannes, quando o presidente ucraniano pretendia defender o envio de mais armas e dinheiro do Ocidente.
No palco do Princess of Wales Theatre, Heder apresentou o projeto e destacou o poder do protesto. “Este filme é sobre o que acontece quando as pessoas se recusam a ser invisíveis”, afirmou a diretora. O elenco, majoritariamente formado por pessoas com deficiência, ocupou o centro das atenções. A atriz Ruth Madeley, que interpreta Heumann e usa cadeira de rodas, disse acreditar que a produção representa “uma mudança importante na indústria”. Dylan O’Brien, outro nome conhecido do público, foi quem desfilou no tapete vermelho e manteve o foco das conversas na representatividade.
A recepção à atuação de Ruffalo dividiu a crítica. David Rooney, do The Hollywood Reporter, escreveu que o ator faz “uma imitação um tanto bufonesca” do burocrata. Já Owen Gleiberman, da Variety, elogiou a entrada do personagem no drama, descrevendo o papel como “interpretado com uma irritabilidade burocrática de meados do século” e afirmando que ali o filme se torna moralmente cativante. Heder tem histórico de sucesso com a Apple: seu filme anterior, “CODA”, venceu três Oscars em 2022, incluindo o de Melhor Filme.
Análise WeekNews: A ausência de Ruffalo em Toronto retirou do festival uma possível plataforma para novas declarações sobre a fusão Paramount-Warner Bros., tema que o ator vincula publicamente ao conflito em Gaza. O episódio também evidencia como a Apple, distribuidora do filme, mantém uma postura de evitar controvérsias políticas em eventos de premiação, como já havia feito em Cannes. Ao mesmo tempo, a estreia colocou em destaque o elenco de “Being Heumann”, formado majoritariamente por atores com deficiência, deslocando o foco da polêmica individual para a representatividade no cinema.
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Fonte: pagesix.com.
Page Six.
2026-09-11 07:45:00

