
O saldo mantido por apostadores nas plataformas de bets caiu de cerca de R$ 2,1 bilhões para R$ 1,453 bilhão desde 26 de setembro, uma redução de R$ 652,6 milhões, equivalente a 31%. O balanço foi apresentado nesta sexta-feira (2) pelos ministros da Fazenda, Dario Durigan, e da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, após as medidas do governo federal para encerrar as apostas de quota fixa.
Segundo Durigan, a movimentação diária das plataformas, estimada em mais de R$ 600 milhões antes da medida provisória que proibiu as bets, foi praticamente interrompida. “Você teve aí um fluxo de R$ 600 milhões por dia que foi basicamente anulado depois da medida”, afirmou.
Apesar da queda, ainda há R$ 1,453 bilhão em contas de 28,65 milhões de CPFs. O governo orienta os apostadores a solicitar o saque até as 23h59 da próxima segunda-feira (5), último dia de funcionamento dos sites e aplicativos.
Entre 7 e 8 de outubro, as empresas informarão aos bancos os saldos remanescentes de cada apostador. A devolução deverá ocorrer entre 9 e 14 de outubro. Caso isso não ocorra, os valores serão transferidos à Caixa Econômica Federal, que ficará responsável pela restituição aos titulares das contas.
A fiscalização identificou 48 contas com saldo superior a R$ 500 mil. De acordo com o Ministério da Fazenda, os casos passarão por análise individualizada e poderão ser encaminhados para investigação caso sejam encontrados indícios de irregularidades.
Entre 25 de setembro e 1º de outubro, 10.435 sites ilegais de apostas foram encaminhados para bloqueio pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Segundo o Ministério da Justiça, cerca de 78 mil sites já haviam sido derrubados anteriormente.
Os ministros informaram que a fiscalização passou a alcançar também as empresas responsáveis pelos sites e as instituições que processam pagamentos. Quando identificadas operações ilegais, as contas podem ser bloqueadas e os recursos vinculados a essas atividades poderão ser destinados à segurança pública após os procedimentos administrativos previstos em lei.
O governo também reforçou a estrutura de fiscalização. Um decreto publicado na quinta-feira (1º) criou, na Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), o Departamento de Fiscalização e Prevenção de Danos ao Consumidor. A Polícia Federal passou a contar com uma Coordenação-Geral de Repressão à Lavagem de Dinheiro e Recuperação de Ativos, com áreas voltadas ao acompanhamento de apostas ilegais e da manipulação de resultados esportivos.
Análise WeekNews: A redução de R$ 652,6 milhões no saldo das contas em apenas uma semana indica que a proibição das apostas de quota fixa teve efeito imediato sobre o volume de recursos mantidos nas plataformas. O dado de que ainda restam R$ 1,453 bilhão em contas de 28,65 milhões de CPFs, no entanto, mostra que a operação de retirada ainda está em curso e depende do cumprimento do calendário de saques e devoluções definido pelo governo. A existência de 48 contas com saldo superior a R$ 500 mil, que serão analisadas individualmente, sugere que a fiscalização pós-proibição tende a se concentrar em casos de maior volume financeiro.
Fonte: Agência Brasil.
