Segundo turno: Flávio aposta em narcoterrorismo e muralha digital; Lula foca em asfixia financeira e PEC da Segurança

Segundo turno: Flávio aposta em narcoterrorismo e muralha digital; Lula foca em asfixia financeira e PEC da Segurança
Fonte da imagem: Agência Brasil


Os dois candidatos à Presidência da República que disputam o segundo turno da eleição deste ano apresentaram à Justiça Eleitoral planos de governo com capítulos extensos dedicados à segurança pública. Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) propõem caminhos distintos para o combate ao crime organizado, à violência urbana e ao feminicídio, com divergências que vão da classificação jurídica de facções à estrutura institucional do setor.

No enfrentamento às organizações criminosas, Flávio defende que facções como o Comando Vermelho, o Primeiro Comando da Capital e as milícias sejam declaradas organizações narcoterroristas — medida que, segundo o material da campanha, também é defendida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O candidato do PL propõe prender lideranças, asfixiar negócios ilícitos, desarticular redes de lavagem de dinheiro e abater bandidos armados com fuzis.

Lula sustenta que o crime organizado deve ser combatido com firmeza, mas dentro dos limites da Constituição e do Estado Democrático de Direito, sem comprometer a soberania brasileira. Entre as iniciativas estão a asfixia financeira das facções, o enfrentamento ao tráfico de armas e munições, a retomada de territórios controlados por grupos armados e o bloqueio de candidaturas de pessoas ligadas ao crime. O petista cita a Lei Antifacção, sancionada neste ano, e o fortalecimento do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, também de 2026.

Na articulação federativa, Lula propõe um Sistema Nacional de Segurança Pública mais integrado, com cooperação entre União, estados e municípios, policiamento de proximidade e ampliação de câmeras corporais com padrões nacionais de uso e preservação de imagens. A aposta central é a aprovação da PEC da Segurança Pública já enviada ao Congresso, que revisaria atribuições dos entes federativos e ampliaria o escopo de ação do Executivo federal, abrindo caminho para a criação do Ministério da Segurança Pública.

Flávio aposta em tecnologia de reconhecimento facial. O chamado Muralha Brasileira prevê a instalação de mais de 1 milhão de novas câmeras em áreas públicas, portos e aeroportos, integradas a bancos de dados criminais e inspiradas nos programas Smart Sampa, da prefeitura de São Paulo, e Muralha Paulista, do governo estadual. O candidato também defende consórcios com estados e municípios para investir em inteligência, armamentos e valorização policial.

Nas fronteiras, o candidato do PL propõe um Sistema Nacional de Fronteira, força de elite formada por militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, equipada com armas de guerra, inteligência e tecnologia para interceptar fuzis e drogas. Lula quer fortalecer a segurança na Amazônia Legal em cooperação com estados, municípios e países da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), mantendo as Forças Armadas nas fronteiras amazônicas com patrulhamento aéreo e fluvial e inteligência policial.

Na política penal, Lula prevê modernização e aparelhamento de unidades prisionais estratégicas, bloqueio de sinais de radiocomunicação, monitoramento de comunicações ilícitas, qualificação de servidores e ampliação da capacidade do sistema penitenciário federal, com isolamento de lideranças e protocolo nacional de transferência de presos de alta periculosidade. O Programa Brasil contra o Crime Organizado criaria ainda o Centro Nacional de Inteligência Penal, para intercâmbio permanente entre órgãos penitenciários da União, dos estados e do Distrito Federal.

Flávio defende a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos e a punição de maiores de 14 anos por crimes graves como estupro, tráfico, tortura e assassinato. Pretende construir cinco novos presídios de segurança máxima, dobrando o número de penitenciárias federais, e batizar o complexo federal de Treva, para, segundo ele, tirar o medo do cidadão e botar medo no bandido. O plano inclui parcerias com estados para criar 500 mil vagas e zerar o déficit carcerário, retirar recursos das famílias dos detentos para destinar às vítimas e acabar com a progressão de regime em crimes hediondos.

No combate à violência doméstica, Flávio propõe monitorar agressores com tornozeleiras eletrônicas em casos de medidas protetivas, endurecer penas para que assassinos e agressores cumpram integralmente a condenação e criar a plataforma ClarIA, de inteligência artificial, para atendimento 24 horas, registro de ocorrências e pedidos de medidas protetivas. O plano prevê ainda um sistema nacional de avaliação de risco para priorizar denúncias conforme o nível de ameaça e ampliar espaços de acolhimento.

Análise WeekNews: os dois programas convergem no diagnóstico — crime organizado, fronteiras e sistema prisional —, mas divergem no instrumento. Flávio concentra a proposta em medidas de força, como a classificação de facções como narcoterroristas e a ampliação do encarceramento, enquanto Lula aposta em arranjo institucional, com a PEC da Segurança e a criação de um ministério, e em ações de asfixia financeira. Na prática, a eleição coloca em disputa dois modelos de coordenação federativa para uma área hoje marcada por competências compartilhadas entre União e estados.

Fonte: Agência Brasil.

Publicidade

Imperdivel!!!

Campeonato Brasileiro
Tabela do Campeonato Inglês (Premier League)
Tabela do Campeonato Espanhol (La Liga)
Tabela do Campeonato Alemão (Bundesliga)
Tabela do Campeonato Francês (Ligue 1)
Tabela do Campeonato Italiano (Serie A)